Entrevista Luis Araújo, presidente regional da Aker Solutions

0
630
IMPRIMIR
por Ricardo Vigliano

Revista Brasil Energia

 

Há três anos, o brasileiro Luis Araújo assumiu a presidência regional da Aker Solutions, em meio a uma crise marcada pelo atraso de encomendas da Petrobras no atacado. A oportunidade não poderia ter sido mais bem aproveitada pelo executivo, que não só renegociou prazos e ajustou compromissos com a estatal, como manteve aceso o apetite norueguês pelo Brasil, pilotando um investimento de meio bilhão de reais em novas plantas.

A experiência bem-sucedida rendeu a Araújo o posto de CEO da empresa, quebrando uma tradição de comando centenária na companhia norueguesa. A promoção chega no momento em que a empresa passa por uma profunda reestruturação global, com o desmembramento das divisões de subsea e surface.
O executivo, que está de malas prontas para morar em Oslo, destaca que a empresa tem encomendas que garantem uma situação confortável no curto prazo e aposta em uma retomada do mercado offshore em 2016, impulsionada pelo desenvolvimento do pré-sal e a perspectiva de uma maior participação das companhias internacionais em áreas do pós-sal.

O Sr. chegou à Aker Solutions em um período conturbado, com a empresa enfrentando problemas de caixa. Qual foi o segredo da virada?

O momento era difícil. Havíamos anunciado uma grande perda em 2011, mas depois conseguimos entregar todas as árvores do contrato com a Petrobras. Acredito que a receita da virada foi manter o foco. Remodelamos a fábrica, investimos em máquinas, fundações, duplicamos nossa capacidade e realinhamos os prazos de entrega. Foi um investimento para o cenário 2015. Depois vem a nova fábrica. A Petrobras também foi decisiva, pois não abriu mão de continuar com a Aker.

A estratégia da Aker Solutions para o Brasil influiu em sua escolha?

O Brasil representa 10% do faturamento da Aker Solutions. É um mercado significativo e existe uma expectativa de que será o maior mercado offshore do mundo, apesar das dificuldades conhecidas. Estamos investindo mais de R$ 500 milhões no Brasil. É o nosso maior investimento no mundo, incluindo a Noruega. Minha nomeação tem relação com isso, mas a minha experiência não é só no Brasil. Morei e trabalhei na Escócia e nos EUA. Tenho uma visão bastante internacional do setor. Metade do faturamento da empresa está fora da Noruega e o potencial no mercado internacional também é grande.

O Brasil tem potencial para competir com o Mar do Norte?


No futuro, acredito que sim. A base instalada de árvores submarinas é quase igual à da Noruega. Vai depender, porém, de como o Brasil vai evoluir. Sabemos que o Brasil tem um potencial enorme de áreas inexploradas. O surgimento de um consórcio tão forte como Libra foi uma surpresa. A presença da Total, talvez nosso maior cliente global junto com a Petrobras e Statoil, foi uma satisfação especial.

 

O Brasil representa 10% do faturamento da Aker Solutions. É um mercado significativo e existe uma expectativa de que será o maior mercado offshore do mundo, apesar das dificuldades conhecidas

 

As contratações no Brasil desaceleraram por conta dos problemas de caixa da Petrobras. A Aker espera um crescimento no curto prazo?

Felizmente, temos um backlog até 2016 e estamos em uma situação mais confortável que outras empresas. Acreditamos que há muita coisa para acontecer no médio prazo. As plataformas estão sendo feitas e as plataformas precisarão de poços. Estamos confiantes em que a área submarina continuará crescendo.

O pré-sal será determinante?


Creio que sim. Pelo que estamos vendo no plano da Petrobras, o investimento está cada vez mais direcionado ao pré-sal. Grande parte do nosso backlog é para o pré-sal. Estamos com uma ordem grande de manifolds para 2015. Mas é preciso também ter em vista as novas licitações e sobretudo as empresas internacionais.

Um mercado além-Petrobras?


Acredito que o grande potencial de crescimento do Brasil, além da Petrobras, que é o maior capex offshore do mundo, com o dobro do segundo colocado, a Statoil, está na possibilidade de as companhias internacionais investirem realmente como operadoras aqui. Pode-se questionar a capacidade do mercado fornecedor. Acredito que é possível. Nós estamos preparados.