O que está sendo feito para reduzir os riscos climáticos nos portos e na navegação

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Em pleno século XXI grandes navios cruzam os mares impulsionados pela combinação de velas e ventos. Vale tudo para reduzir as emissões de carbono

Na última década, o Brasil tem vivenciado casos de desastres naturais causados pela combinação de eventos meteorológicos e oceanográficos extremos, principalmente em regiões estuarinas onde estão instalados alguns dos principais portos, como Rio Grande, Itajaí, Paranaguá, São Francisco do Sul, Santos e Vitória.

 Em Itajaí (SC), em 2008, 2011 e 2017 foram registrados estragos provocados pela combinação de enchente, ressaca e elevação da maré. Em 2008, esses eventos causaram ainda o assoreamento do rio Itajaí-açu e a destruição da estrutura dos berços de atracação do Porto de Itajaí. Naquele ano, o prejuízo estimado com o fechamento do canal de acesso e a paralisação das operações foi de mais de R$ 1 milhão, apenas para os armadores.

Os portos de São Francisco do Sul, Itapoá e Imbituba também tiveram seus acessos fechados. Os portos de todo o mundo estão em uma busca crescente por identificação e avaliação dos riscos climáticos que evidenciam a necessidade de elaboração de estratégias de adaptação que visam reduzir os prejuízos financeiros e operacionais decorrentes desses impactos. Pelo Brasil e pelo mundo, saiba o que está sendo feito para mitigar o avanço das mudanças climáticas, tema da última reportagem da série Portos e navegação: os desafios climáticos

Praticagem de São Paulo é pioneira na adoção do Programa de Gestão de Emissão de Poluentes Atmosféricos

A Praticagem de São Paulo adotou o Programa de Gestão Ambiental (VGP) do Instituto Via Green e torna-se a primeira do país a elaborar um inventário de emissões de Gases de Efeito Estufa, demonstrando a sua contribuição no combate às mudanças climáticas. “Entendemos que as empresas devem fazer sua parte e colaborar com essa causa, quanto maior o alcance das metas melhores os benefícios para todos”, diz Bruno Tavares, Presidente da Praticagem de São Paulo.O Instituto Via Green é uma organização de pesquisa e desenvolvimento de projetos sustentáveis. A proposta do VGP é reduzir os impactos ambientais negativos relacionados às atividades empresariais, através do monitoramento do consumo de água e energia, geração de efluentes líquidos e resíduos sólidos e emissões de poluentes atmosféricos.

Para Bruno Tavares, adotar o programa é uma forma de incentivar as melhores práticas e envolver seus colaboradores nessa importante iniciativa de responsabilidade socioambiental. “Já começamos a identificar e a mudar os pontos necessários para adequação ao VGP em nossa sede, no estaleiro e até em nossas lanchas. E vamos continuar repensando processos com o apoio de toda nossa equipe.  Sabemos que empresas inovadoras quando investem em sustentabilidade agregam um valor institucional importante à atividade”.

 

Wilson Sons desenvolve programas de conscientização e preservação ambiental no Tecon Rio Grande

Diante deste cenário, a Wilson Sons, dentro das ações de SegurançaMeio Ambiente e Saúde (SMS) do Tecon Rio Grande, vem desenvolvendo uma série de programas não apenas voltados aos recursos hídricos, mas a outras iniciativas de preservação ambiental como resíduos, energia, emissão de gases de efeito estufa (GEE) e gestão de ativos.

O terminal conta ainda com uma Unidade de Compostagem, onde os resíduos orgânicos gerados no refeitório são transformados em adubo.

Um destes projetos é o “O Mar Começa Aqui”, campanha instituída este ano, que visa conscientizar os colaboradores e usuários do terminal sobre a importância do gerenciamento adequado de resíduos, bem como disseminar a educação para a preservação dos ecossistemas e da qualidade da água. A ação conta com a identificação de cerca de 30 bueiros localizados nas proximidades dos locais de passagem de pessoas no Tecon Rio Grande com a frase “O Mar Começa Aqui”, numa forma de chamar atenção para a responsabilidade de todos com a preservação do meio ambiente e com o lixo que contamina os oceanos.

Igualmente voltado aos recursos hídricos, o Tecon Rio Grande mantém, desde 2015, o “Águas Limpas”, programa de tratamento de efluentes industriais que gera economia de água através do reuso do efluente na lavagem, na manutenção e no posto de abastecimento. O terminal conta ainda com uma Unidade de Compostagem, onde os resíduos orgânicos gerados no refeitório são transformados em adubo. Assim, o volume de resíduos levados para aterros, é reduzido em aproximadamente 30%.

Concluído o mega terminal totalmente elétrico e de emissões zero de Long Beach

                      A construção do projeto de US$ 1,493 bilhão começou em maio de 2011

O Porto de Long Beach anunciou a conclusão de um novo terminal de contêineres classificado como uma das instalações de carga mais tecnologicamente avançadas do mundo. O terminal de contêineres de Long Beach em Middle Harbor está equipado com quase todos os equipamentos elétricos e de emissão zero projetados para melhorar o fluxo de carga e melhorar drasticamente a qualidade do ar em meio no segundo porto marítimo mais movimentado dos Estados Unidos.

A construção do projeto de US$ 1,493 bilhão começou em maio de 2011. A estrutura conta com um pátio ferroviário projetado para lidar com 1,1 milhão de TEUs anualmente e minimizar o tráfego de caminhões. Além disso, 14 dos mais modernos portêineres podem receber três navios enormes de uma vez.

Outros três hectares serão adicionados em 2025 com a inauguração da Expansão do Portão Norte, completando o terminal com 303 hectares. Todos os navios que fazem escala no terminal se conectam às conexões de energia em terra enquanto atracados, permitindo que desliguem os motores. Todas as principais estruturas são construídas com recursos para economizar energia e água.

 

Porto de Suape adere à energia renovável   

  • Suape aderiu à compra de energia limpa para o funcionamento do prédio administrativo e de mais quatro áreas do porto organizado. A iniciativa é fruto do programa PE Sustentável, criado pelo governo estadual e gerenciado pela Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper), que viabiliza a comercialização de energia solar no Mercado Livre de Energia adquirida pelo leilão promovido pela gestão estadual em 2013.

O uso dessa matriz energética por Suape é a primeira medida anunciada após o ingresso da empresa no Iclei (Governos Locais pela Sustentabilidade), organização global que conta com 2,5 mil gestões públicas locais e regionais comprometidas com o desenvolvimento urbano sustentável do planeta. A iniciativa também contribuirá para elevar o Índice de Desempenho Ambiental (IDA), indicador da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para acompanhar as atividades dos portos. Suape ocupa atualmente a 8° posição na lista de 31 atracadouros públicos monitorados.

 

Porto de Tianjin construirá o primeiro terminal com emissão zero do mundo

Serão construídas turbinas eólicas e fotovoltaicas no local, permitindo que o terminal use eletricidade para seu próprio uso e alcance emissões de carbono zero

O porto de Tianjin, o maior porto do norte da China, anunciou que desenvolverá o primeiro terminal de zero carbono de inteligência artificial (IA) do mundo. Para atingir a meta de emissão zero, o terminal construirá um sistema de fornecimento de energia verde compatível com o consumo do terminal. Um sistema integrado de energia eólica, solar e de armazenamento será usado como uma plataforma para realizar o fornecimento de energia verde para todo o terminal.

Todo o equipamento portuário de carga e descarga, facilidade de transporte horizontal e equipamentos auxiliares serão movidos a energia elétrica com um novo sistema integrado de armazenamento de energia. Com a combinação da tecnologia tradicional de carga e descarga e operações automáticas, o consumo de energia deverá ser reduzido em 17%. Serão construídas turbinas eólicas e fotovoltaicas no local, permitindo que o terminal use eletricidade para seu próprio uso e alcance emissões de carbono zero, disse Chen Yanping , deputado gerente geral do Tianjin Port Group Kexin Facilities Department.

 

Primeiro navio movido a hidrogênio líquido está pronto

A empresa de engenharia e design LMG Marin confirmou que o Hydra, o primeiro navio movido a hidrogênio liquefeito do mundo, foi entregue à operadora norueguesa de balsas Norled. A entrega da balsa foi confirmada pela LMG Marin por meio de um post no LinkedIn, mas com a ressalva de que a operação com o combustível só será viável quando o fornecimento do mesmo estiver disponível. A expectativa é de que isso aconteça nos próximos meses.

O armador Norled afirmara em junho que o Hydra operaria com bateria até que o suprimento do novo combustível estivesse disponível. O hidrogênio líquido será fornecido pela Linde, empresa de gases industriais.

 

Equipamento para monitorar correntes marinhas e ondas é instalado no Porto de Imbituba

As informações coletadas pelo ADCP estarão disponíveis em breve para os trabalhadores portuários envolvidos nas manobras dos navios, como práticos e rebocadores

A SCPAR Porto de Imbituba concluiu a instalação de um Perfilador de Corrente Marinha (Acoustic Doppler Current Profiler – ADCP) próximo ao canal de acesso do Porto de Imbituba. O objetivo é medir a intensidade e direção das ondas e correntes marinhas que atuam na enseada do Porto. O ADCP foi instalado junto à poita (peso de ferro/âncora) da boia encarnada de sinalização náutica, especialmente preparada para receber o equipamento de captação dos dados, e passou a integrar a metodologia do Programa de Monitoramento das Condições Hidrodinâmicas, um dos 18 controles ambientais realizados pela Autoridade Portuária.

Camila Amorim, oceanógrafa e gerente de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da SCPAR Porto de Imbituba, ressalta a importância da geração contínua e em tempo real de dados de correntes e ondas. “Com o ADCP instalado podemos monitorar e entender melhor a situação hidrodinâmica do sistema aquaviário do Porto de Imbituba, podendo até prever condições extremas e tornando as operações portuárias ainda mais seguras”, complementa.

 

Indústria naval no país precisa se preparar para redução de emissões

As novas regras da Organização Marítima Internacional (IMO) para garantir que os navios reduzam suas emissões de gases de efeito estufa vão agitar a indústria naval brasileira nos próximos anos. A necessidade de melhorar a eficiência energética das embarcações, por meio de abordagens técnicas e operacionais, vai se refletir tanto na construção de novos navios, que terão que ser projetados dentro das normas da IMO, quanto na modernização das embarcações que já estão a pleno vapor. “Todos os navios deverão ser operados da maneira mais eficiente, em termos de emissões de gases de efeito estufa, e precisam priorizar o consumo de combustíveis de baixo carbono ou carbono neutros, caso possível. Essa conjuntura decorre dos níveis de ambição da Estratégia Inicial que determinou uma redução de intensidade de carbono de no mínimo 40% até o ano de 2030, perseguindo esforços para uma redução de 70% até o ano de 2050.

 

Porto de Paranaguá implanta estação meteorológica para evitar acidentes

A Portos do Paraná implantou uma estação meteorológica própria, que disponibilizará medições e alertas em tempo real sobre as condições atmosféricas no Porto de Paranaguá. A ferramenta poderá ser acessada por toda a comunidade portuária, servindo de auxílio na prevenção de acidentes de trabalho. “A atividade exige trabalho em altura e sincronia com algumas condições de clima e tempo. A estação permite que a Gerência de Saúde e Segurança do Trabalho e a equipe da Operação disparem alarmes de condições adversas”, explica João Paulo Ribeiro Santana, diretor de Meio Ambiente na empresa pública.

O equipamento WS 18 trabalha em conjunto com o aplicativo Plugfield, disponível para aparelhos celular com sistema Android e IOS. O módulo de GPS permite medir o índice pluviométrico, temperatura, umidade relativa do ar, velocidade e direção do vento, radiação solar, pressão atmosférica e raios ultravioleta. “Os alertas para a velocidade do vento, pressão, entre outros, serão mantidos, para que a comunidade se prepare preventivamente”, diz o gerente de Saúde e Segurança do Trabalho, José Sbravatti.

A preocupação com as condições climáticas faz parte da Norma Regulamentadora 29, que trata dos critérios de segurança no Porto. “Essa norma traz uma série de cenários acidentais que têm que ser tratados dentro dos planos de emergência, entre eles as catástrofes climáticas. Há alguns meses registramos a passagem de um ciclone bomba, que gerou diversos problemas para o Porto. Com a estação, será possível antecipar situações semelhantes”, afirma o assessor especialista de Segurança no Trabalho, Felipe Zacharias.

 

Schottel fornecerá propulsores em 4 rebocadores da Starnav

 

A Starnav Serviços Marítimos irá equipar seus próximos quatro rebocadores de 32 metros de comprimento e 11,6 metros de largura com os propulsores azimutais Schottel RudderPropeller. Um dos barcos receberá a tecnologia Sydrive-M patenteada pela Schottel, os outros três serão configurados com Sydrive Ready — estarão preparados para uma posterior instalação do Sydrive-M. As embarcações serão construídas no estaleiro Detroit, em Itajaí (SC).

O Sydrive-M viabiliza à Starnav oferecer serviços de apoio portuário mais rentáveis e com menos emissões de CO2 em portos brasileiros. Carlos Eduardo Pereira, CEO da Starnav, afirma: “Ao utilizar a solução híbrida da Schottel, estamos planejando uma navegação ecologicamente mais sustentável, uma vez que as novas embarcações permanecerão nas águas pelas próximas décadas.

Nossa meta sempre é alcançar o maior nível de confiabilidade do equipamento, a segurança das nossas operações e os cuidados com o meio ambiente. Com mais de 30 embarcações propulsionadas pela Schottel em nossa frota, continuaremos expandindo nossas operações e nos beneficiaremos de um forte parceiro com amplo know-how no Brasil”.

 

Vela em navios com propulsão híbrida proporciona redução de 30% nas emissões

Os sistemas de propulsão eólica ajudam os proprietários e operadores de navios a reduzirem as emissões de carbono em até 30%

Por séculos, navios cruzaram os mares impulsionados pela combinação de velas e ventos. E, ao que tudo indica, a necessidade de poluir menos a atmosfera está trazendo de volta, em pleno século XXI, essa tradicional combinação. Lógico que com toda a tecnologia desenvolvida até agora.

Segundo a Associação Internacional de Navegação a Vela (IWSA), já há 11 grandes navios oceânicos com sistemas de auxílio ao vento instalados e mais 20 embarcações menores de carga a vela, além de um sem número de pequenos navios de cruzeiro que utilizam a propulsão eólica.

“Os sistemas de propulsão eólica ajudam os proprietários e operadores de navios a reduzirem as emissões de carbono em até 30% para soluções de retrofit e significativamente mais para navios newbuild otimizados. Está claro que o vento deve ser totalmente integrado aos caminhos de descarbonização para o transporte marítimo. É uma fonte de energia abundante, disponível e gratuita, pronta para ser aproveitada”, afirma o secretário-geral da IWSA, Gavin Allwright.

 

ACOMPANHE A SÉRIE DE REPORTAGENS

13/ Segunda-feira – NA MIRA DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

14/ Terça –  UM PAÍS QUE APRENDEU A CONVIVER COM AS ÁGUAS

15/ Quarta- INUNDAÇÃO DA MARÉ ALTA NOS EUA BATE RECORDES

16/ Quinta- A VEZ DOS NAVIOS ELÉTRICOS: HEINEKE USA CONTÊINERES                 COM BATERIA PARA DISTRIBUIR CERVEJA SEM EMISSÕES

17/Sexta- O QUE ESTÁ SENDO FEITO PARA REDUZIR OS RISCOS CLIMÁTICOS