Rodoviário: O maior desafio já enfrentado

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Empresas que atuam no transporte internacional de cargas se desdobram para cumprir as exigências dos países que integram o Mercosul, a fim de manter as operações de importação e exportação nas fronteiras com o Brasil

As empresas que operam o transporte rodoviário internacional de cargas entre o Brasil e os demais países membros do Mercosul iniciaram o ano tomadas pelo otimismo de que 2020 seria marcado pela recuperação e pelo crescimento do setor, em vista do resultado de 2019, um dos piores da última década. O cenário se mostrava favorável pela recuperação da economia brasileira no primeiro trimestre e pela renegociação da dívida externa com a Argentina, um dos principais parceiros comerciais do país.

As prospecções, no entanto, não consideraram que, no meio do caminho, haveria um vírus capaz de afetar a economia mundial de forma tão drástica. A covid-19 trouxe ao setor já repleto de especificidades questões ainda mais complexas. Sem a pandemia do novo coronavírus, a rotina diária de exportações e importações por meio das rodovias já era desafiadora, envolvendo burocracia aduaneira e diversas regras diferentes adotadas por cada país. Com a pandemia, os desafios se tornaram ainda maiores, sendo o principal deles evitar o fechamento das fronteiras.

O reconhecimento do transporte como atividade essencial, por parte dos países do Mercosul, incluindo o Brasil, garantiu a continuidade das operações. “Os governos vizinhos foram sensíveis a esse reconhecimento, que está, inclusive, previsto em decretos federais. Foi uma vitória”, disse Francisco Cardoso, presidente da ABTI (Associação Brasileira de Transportadores Internacionais). O êxito da iniciativa se deve à articulação conjunta entre entidades brasileiras, como a ABTI, entidades coirmãs dos países vizinhos e o governo federal do Brasil.

Os impactos da pandemia

Embora as operações continuem, desde que respeitadas as regras impostas pelos países vizinhos, o setor vive o seu maior desafio operacional, logístico, administrativo e financeiro. Números da ABTI mostram que os fluxos de mercadorias exportadas e importadas de janeiro a maio deste ano são, em média, 30% menores do que em 2019 (na comparação com o mesmo período). “As transportadoras registraram reduções de volumes a partir da segunda quinzena de março, principalmente com o lockdown da Argentina e o distanciamento social em São Paulo e em outros estados importantes”, explica o presidente da associação. O lockdown naquele país ocorreu por cerca de 15 dias, período em que foi impedida a circulação não autorizada de pessoas, em determinados perímetros urbanos e regiões.

Na fronteira entre o município brasileiro de São Borja (RS) e a cidade argentina de São Tomé, por exemplo, as exportações e as importações caíram 12% em março, na comparação com o mesmo período do ano passado. Nos meses seguintes, o resultado negativo se repetiu: abril (-47%), maio (-36%) e junho (-34%). Já as operações com o Uruguai, via Rivera (UY) e Santana do Livramento (RS-BR), iniciaram o cenário de queda, em função da pandemia, em abril (-32%), maio (-36%) e junho (-14%). O impacto entre as transportadoras varia, dependendo do segmento em que atuam. “O setor automotivo foi o que mais sofreu, com redução das atividades em 50% de abril a junho deste ano, enquanto os outros setores sofreram quedas entre 15% e 25%”, revela Cardoso. Segundo o presidente da ABTI, a recuperação do setor automotivo teve início em julho.

Para Danilo Guedes, empresário do setor e coordenador da Comtrim (Comissão Permanente de Transporte Internacional), o cumprimento das medidas sanitárias, a preocupação com a saúde dos profissionais, a lentidão no cruzamento de fronteiras e os custos absorvidos pelas transportadores estão entre os atuais desafios do transporte internacional de cargas. “Com o avanço da pandemia e o Brasil no epicentro (de casos) da América do Sul, os principais países (Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai e Peru) foram criando regras e limitando muito o fluxo de transportes de mercadorias.”

Fonte: Revista CNT