Aéreo: Mudanças nos porões

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Essencial para o comércio global, o transporte aéreo de cargas passa por transformações e adaptações. Redução no fluxo de voos e mudança nos tipos de produtos transportados inauguram um novo cenário para o setor

O transporte de cargas aéreas sempre passou, de certa maneira, despercebido por grande parte da população, apesar da diversidade de mercadorias movimentadas – que vão de alimentos a eletrônicos – e da relevância para o comércio global. O modal responde por menos de 1% do volume de cargas no mundo, mas por mais de 35% do valor, segundo a Iata (Associação Internacional de Transportes Aéreos, na sigla em inglês).

No Brasil, em 2019, foram quase 700 mil toneladas transportadas em aeronaves exclusivas para cargas e nos porões daquelas destinadas ao transporte de passageiros.Com a crise causada pela pandemia do novo coronavírus, esse cenário mudou. A redução do fluxo de voos comerciais e a necessidade de se transportarem produtos e equipamentos de suporte ao combate da covid-19 fizeram com que os porões dos aviões passassem a ser grandes protagonistas. E mais: as companhias tiveram autorização para transportar cargas especiais nas cabines destinadas a passageiros. A favor das operações, estiveram características que são específicas desse modal, como a rapidez, o cuidado e a segurança para os itens.

Esse novo movimento mostra a essencialidade do transporte aéreo de cargas para o comércio global e, também, coloca em evidência desafios e oportunidades para a atividade.“O transporte aéreo de cargas pré-pandemia vinha em um contexto de crescimento moderado, em linha com a economia do país, mas foi afetado pela crise”, relata o diretor de Segurança e Operações de Voo da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), Ruy Amparo. Números da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), compilados pela associação, mostram que o transporte de cargas e correios nos mercados doméstico e internacional teve queda de 52,41% em maio, diante de igual mês de 2019. De janeiro a maio, essa atividade acumula 29,98% de redução.

O percentual é menor do que a queda no mercado de passageiros (90,97%), mas é suficiente para fazer com que as companhias mudem suas estratégias.“Grandes companhias têm setores especializados no apoio a empresas de alto fluxo de carga aérea. Apesar de a demanda por esse serviço não ter caído tanto quanto a de passageiros, alguns voos não se mantêm apenas com carga. Isso levou a uma diminuição na disponibilidade dos porões, o que tornou difícil ter a mesma velocidade de entrega de produtos nos mercados doméstico e internacional”, explica Amparo.