Holanda se prepara para a Rio+20

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Por Mariângela Guimarães

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Criada há um ano, a Plataforma Nacional Rio+20 realizou nesta quarta-feira, em Roterdã, um grande evento aberto a todos os que quisessem participar para colher as últimas sugestões a serem levadas por sua comissão ao Rio de Janeiro. O evento Rio aan de Maas (Rio no Mosa) atraiu mais de 1300 participantes, desde organizações voltadas para o desenvolvimento sustentável, pequenos e grandes empreendedores que apresentaram seus produtos e iniciativas para a produção sustentável e interessados em geral, que podiam participar de workshops sobre diversos temas ligados à sustentabilidade, ter uma conversa particular de 15 minutos com representantes de organizações de renome na área de sustentabilidade ou mesmo participar de um jogo de tabuleiro sobre como melhorar o mundo com figuras importantes como o ex-primeiro-ministro holandês e ex-alto comissário da ONU para refugiados Ruud Lubbers. Tudo de maneira informal e acessível – no que os holandeses são mestres.

Entre os presentes estava inclusive o príncipe herdeiro da Holanda, Willem Alexander, que abriu o evento e depois passou por vários estandes, conversando com expositores e participantes.

Ponte para a sustentabilidade Herman Bavinck, do Ministério de Infraestrutura e Meio Ambiente e organizador do evento, destaca os três principais objetivos do encontro Rio aan de Maas:

“Queremos fazer uma ponte entre iniciativas ambientais locais e iniciativas sustentáveis e ajudá-las em seu desenvolvimento; queremos mostrar que na Holanda já há muita consciência da sociedade sobre questões de sustentabilidade, e gostaríamos que isso também entrasse na agenda política; queremos ainda facilitar a ligação entre questões locais e mundiais sobre sustentabilidade. Se queremos mudar o mundo, isso tem que começar com iniciativas locais.”

Propostas Como resultado de um ano de trabalho da Plataforma Nacional Rio+20, a Holanda apresentará dez propostas no Rio de Janeiro.

“Vamos levar um plano de dez prioridades, e posso citar três como exemplo. Uma é que temos que mudar o sistema econômico. Precisamos ter uma transição. Hoje, na Holanda, principalmente o trabalho é tributado, e acreditamos que temos que passar a uma transição onde exista a tributação de matéria prima, de maneira que se estimule o uso sustentável de matérias primas. A segunda coisa importante é que se feche os círculos, ou seja, que não haja desperdício. Um terceiro ponto é a mudança de padrões, a mudança de costumes. É tão difícil para cada indivíduo quebrar padrões tradicionais em coisas simples como pegar o carro quando não é necessário, por exemplo. Temos que quebrar estes padrões.”

Otimismo A presidente da Plataforma Nacional Rio+20, Louise Fresco, também destaca que o que se viu no evento Rio aan de Maas “não são apenas iniciativas locais”:

“Esta é uma soma de todas as coisas que acontecem aqui e uma soma do que precisa acontecer na política, do que precisa acontecer em termos de mudança de comportamento. Vamos levar isso para o Rio de Janeiro e colocamos tudo num pequeno livro com propostas bem concretas. Espero que assim a Holanda tenha um impacto no processo que vai acontecer no Rio.”

E o que se pode esperar da Rio+20? Louise Fresco se mostra otimista quanto aos resultados da conferência: “Eu não sou de maneira nenhuma pessimista, acho que aprendemos muito desde a primeira conferência no Rio e acho que também aprenderemos muito depois desta conferência.”