Na Marinha, avanços com menos recursos

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Foi sob o comando de Leal Ferreira que a Marinha lançou ao mar, no mês passado, o “Riachuelo”, primeiro dos cinco submarinos previstos sob um acordo firmado com a França em 2008. Os quatro primeiros serão convencionais. O último, ainda sem data para ficar pronto, terá propulsão nuclear.

Indicado à presidência do conselho da Petrobras, o almirante de esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira, de 66 anos, conduziu ações para modernizar a Marinha durante os quase quatro anos em que comandou a força, entre fevereiro de 2015 e a semana passada, com um orçamento decrescente.

Casado, pai e avô, Leal Ferreira também fez avançar o programa nuclear da Marinha, que prevê a construção de dois reatores. O primeiro, a ser instalado em Iperó (SP), é o protótipo do sistema que será embarcado no submarino nuclear, o “Álvaro Alberto”.

A renovação da frota de guerra foi outra providência. Em setembro do ano passado, em entrevista ao Valor, Leal Ferreira disse que estavam praticamente garantidas as fontes de recursos para construir quatro corvetas. As embarcações, explicou, serão construídas por estaleiros brasileiros. “A ideia é sempre construir no Brasil. Pagamos um preço por isso”, disse. “Sai mais barato comprar fora. Mas faz parte do projeto de país ter uma indústria aqui. Isso nos dá uma independência logística muito grande.”

O Prosub, de submarinos, reúne 52 companhias de diversas áreas. O programa nuclear ou PNM, mais de uma centena delas.

Historicamente, o setor de defesa estimula a indústria de tecnologia, disse Leal Ferreira. No Brasil, ele citou como exemplos a Embraer, estimulada pela Força Aérea, e a Cobra, de computadores, que recebeu apoio da Marinha. “A própria [criação da] Petrobras foi uma pressão muito grande dos militares”, afirmou.

Entre 2013 e 2018, o orçamento anual da Marinha encolheu 55%, para R$ 2,9 bilhões. “Até 2030, a Marinha vai perder 12 mil homens”, disse o almirante, como forma de aliviar as despesas. Paralelamente, a Marinha reforçou a contratação de funcionários temporários. Em setembro, a força reunia 80,3 mil militares e mais de 4 mil civis.

Em novembro, a Marinha promoveu a engenheira Luciana Mascarenhas da Costa Marroni ao posto de contra-almirante. Ela é a segunda mulher a integrar o mais alto escalão das Forças Armadas. A primeira, também da Marinha, é a médica Dalva Maria Carvalho Mendes, promovida em 2012.

Fonte: Valor