Limitação de calado reduz a lucratividade da soja

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O volume de soja em grão exportado pelo Rio Grande do Sul totalizou cerca de 12 milhões de toneladas. O calado diminuído, devido à falta de dragagem, faz com que as embarcações não possam sair do complexo rio-grandino com carga plena ou é preciso esperar pela maré alta VANESSA ALMEIDA DE MORAES/EMATER-RS/ASCAR/DIVULGAÇÃO/JC
por Jefferson Klein / Jornal do Comércio-RS
 
A demora na dragagem do porto do Rio Grande (que até pouco tempo aguardava a liberação do Ibama e agora espera recursos provenientes do governo federal) afeta praticamente todos os setores da economia gaúcha. Contudo, o segmento agrícola, com o escoamento das safras, é uma das áreas mais preocupadas com o tema. O presidente da Farsul, Gedeão Pereira, comenta que há estimativas que a limitação do calado está custando de R$ 1,00 a R$ 2,00 por saca de soja (60 quilos).
 
Para se ter uma ideia do que isso representa, no ano passado o volume de soja em grão exportado pelo Rio Grande do Sul totalizou cerca de 12 milhões de toneladas. O calado diminuído, devido à falta de dragagem, faz com que as embarcações não possam sair do complexo rio-grandino com carga plena ou é preciso esperar pela maré alta. “Quanto custa o navio parado? Evidentemente alguém está pagando essa conta”, frisa Pereira. Com o objetivo de indicar soluções para problemas como esse e aprimorar o transporte fluvial no Estado foi criada oficialmente nesta semana na Associação Hidrovias RS, na sede da Farsul, em Porto Alegre.
 
Além de terminais portuários, fazem parte da associação entidades como a Farsul, Fiergs, Fecomércio-RS e Federarroz. O coordenador da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli, acumulará a presidência da instituição recém formada “A nossa intenção ao criar essa entidade é aglutinar, criar uma coalizão empresarial para apresentar propostas”, enfatiza. O dirigente ressalta que os governos, tanto federal como estadual, não possuem recursos e é preciso o meio empresarial buscar novos modelos. Manteli adianta que os planos que serão elaborados pela Associação Hidrovias RS serão apresentados aos candidatos ao governo do Estado. Uma possibilidade que será discutida é a dos próprios agentes logísticos terem mais autonomia e desembolsarem recursos próprios para viabilizar a operação em hidrovias e de portos gaúchos.
 
O dirigente informa que as embarcações pagam cerca de R$ 65 milhões por ano em tarifas para atracarem no porto do Rio Grande. Entretanto, boa parte desses recursos, ao invés de ser revertida para a infraestrutura portuária, é encaminhada para o Caixa Único do governo estadual. O custo logístico do Rio Grande do Sul, segundo Manteli, equivale a 19% do PIB gaúcho, maior do que o nacional, que representa um percentual de 12% Atualmente, a estimativa da Associação Hidrovias RS é que se movimente pelo modal fluvial cerca de 7 milhões de toneladas ao ano em cargas no Estado. Porém, há um potencial para elevar imediatamente esse número para 10 milhões de toneladas anuais.