Começa a 38ª Operação Antártica.Expedição Bravo Zulu vai resgatar histórias dos pioneiros no continente

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O navio também leva em seus porões material para o término das obras da nova Estação Comandante Ferraz, que tem inauguração prevista para a segunda quinzena de janeiro de 2020 / Fotos Guga Volks

Ele tem 93.4 metros de comprimento e 6.59 metros de calado. O navio mais novo da Marinha  na Antártida tem um apelido um tanto simpático: Tio Max. É como os jornalistas, militares e pesquisadores costumam chamar o Navio Polar Almirante Maximiano, comprado em setembro de 2008 e onde são feitas cerca de 40% das pesquisas brasileiras. O casco, pintado de vermelho (que identifica os navios antárticos), recebeu a inscrição H41 e o nome é para homenagear o almirante de esquadra Maximiano Eduardo da Silva Fonseca (1919-1998), ministro da Marinha no governo de João Figueiredo. O navio tem cinco laboratórios, acomodações para 130 pessoas (30 pesquisadores), hangar e convés de voo, para operação de dois helicópteros. Em 2010, recebeu equipamentos para pesquisa, incluindo guinchos oceanográficos, ecobatímetros para medir grandes profundidades, doppler para perfilar correntes e termossalinógrafo, para medir temperatura e salinidade da água.

O Tio Max chegou no sábado no porto de Rio Grande, onde esteve aberto à visitação pública, e partiu segunda-feira para a Antártida dando início a   trigésima oitava Operação Antártica (OPERANTAR XXXVIII) expedição de pesquisa no continente gelado, que vem ocorrendo desde 1982, como parte do Programa Antártico Brasileiro (Proantar). Um dos trabalhos do navio é coletar dados oceanográficos da região para apoiar projetos do Proantar e atualizar cartas náuticas da região. “É uma missão muito marinheira viajar para um lugar tão distante”, diz o Capitão de Mar e Guerra João Candido Marques Dias, contando que o Tio Max já costuma sair do porto com diversas tarefas.No caso das pesquisas, elas são principalmente relacionadas às áreas de Oceanografia, Hidrografia, Geofísica, Geologia e Biologia. “O navio tem uma grande relação com a cidade de Rio Grande. Aqui está sediada a Estação de Apoio Antártico (ESANTAR) da Fundação Universidade do Rio Grande (FURG), que é fundamental na viabilização de nossas operações”, comentou o comandante Candido,46 anos, 31 dedicados a Marinha,que faz a sua segunda viagem a Antártida.O Maximiano da Fonseca tem prevista uma escala na região da Argentina e Punta Arenas, no sul do Chile, onde a sua chegada está prevista para o dia 29 de outubro. A embarcação opera em conjunto com o navio oceanográfico Ary Rongel nas operações de logística no continente antártico.

EXPEDIÇÃO BRAVO ZULU EMBARCA NO TIO MAX EM PUNTA ARENAS

 Desde 2012, o jornalista Diniz Júnior, no currículo duas expedições a Antártida (1986, 1996), criou o projeto BRAVO ZULU com a finalidade de divulgar a importância da logística da Marinha naquele continente. O incêndio na Estação Comandante Ferraz interrompeu o projeto que prevê a edição de um livro e um vídeo. Em 2015, ele foi retomado e em 2017 chegou a tão sonhada notícia da aprovação pelo setor de Comunicação da Marinha com sede em Brasília. “Alguém uma vez disse que as coisas só existem na medida em que se fala delas. Temos que falar e muito da Antártida. É a maior reserva marinha e também de agua doce do planeta”, disse Diniz.

Nas duas expedições em que o jornalista participou realizando reportagens a permanência foi de sete dias, desta vez a expedição terá duração de 22 dias. “Tem um lado que dificilmente aparece nas reportagens sobre a Antártida: a vida dos marinheiros, que passam meses a bordo dos navios antárticos; os mergulhadores que pulam na água gelada para empurrar os botes dos pesquisadores; os tripulantes e sua disposição ímpar. Militares e cientistas superam as dificuldades da rotina, do frio e do isolamento, e é todo esse esforço que garante a presença brasileira no continente fazendo as pesquisas. Esses são os nossos BRAVOS ZULUS e pretendemos dar luz a eles”, finalizou o coordenador da Expedição.

Fazem parte da Expedição Bravo Zulu, o fotógrafo Guga Volks e o cinegrafista Thiago Piccoli da Cunha. O início da viagem está previsto para o dia 29 de outubro no navio Maximiano da Fonseca em Punta Arenas, no sul do Chile. O Jornal Agora, em parceria com o site Portos & Mercados (www.portosmercados.com.br), vai acompanhar a expedição com a publicação em suas edições impressa e online de um Diário de Bordo a partir do dia 29.

Expedição Bravo ZULU 2(1)