Vídeo: Construindo pontes para incentivar a coexistência com o boto de Lahille no sul do Brasil

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O estuário oferece aos golfinhos fartura de alimentos, mas também uma grande ameaça: as redes de pesca

Pedro cresceu ao lado dos botos-de-Lahille, que são animais muito carismáticos e que também são conhecidos pela pesca cooperativa com pescadores artesanais no litoral do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, sul do Brasil. Ele usará seu prêmio Whitley para promover a coexistência entre as comunidades pesqueiras e este animal tão emblemático para região. O principal objetivo do projeto será reduzir a mortalidade dos botos em redes de pesca em uma das áreas pesqueiras mais movimentadas do Brasil.

BOTOS ÚNICOS

O estuário da Lagoa dos Patos e suas águas costeiras adjacentes abrigam o maior número de botos de Lahille, que foram recentemente declarados um grupo distinto. Atualmente, o número de botos capturados acidentalmente e mortos com as artes de pesca é insustentável para uma subespécie com menos de 600 indivíduos vivos na natureza. No Brasil, a espécie é considerada como em perigo de extinção.

TRAZENDO PESSOAS A BORDO

Uma zona de proteção para o boto foi criada em 2012 no Estuário da Lagoa dos Patos e costa adjacente, sul do Brasil, mas a falta de comunicação na implementação da norma e a dependência cada vez maior da pesca para obter renda não conseguiu reduzir as capturas incidentais dos botos em redes de pesca.

CONSERVAÇÃO HOLÍSTICA

Fundador da KAOSA, uma organização não governamental de caráter socioambiental e sem fins lucrativos, Pedro visa construir pontes entre a comunidade, os cientistas e as autoridades. Neste projeto, que será realizado em conjunto com o Museu Oceanográfico da Universidade Federal do Rio Grande – FURG, ele treinará a população local em gestão participativa e lançará um aplicativo de ciência cidadã para envolver e engajar o público local no cuidado da área de proteção ao boto.

Os prêmios da Whitley são concedidos anualmente pela instituição de caridade britânica Whitley Fund for Nature a renomados conservacionistas do hemisfério Sul. Pedro é um dos seis conservacionistas a serem contemplados em 2021 por seu compromisso com a conservação de uma das espécies mais ameaçadas do planeta e que vive em habitats naturais espetaculares. Durante uma celebração virtual na tarde passada (12 de maio), eles receberam mensagens de apoio do Patrono da caridade HRH The Princess Royal and Trustee, Sir David Attenborough.

Senhor David Attenborough disse: “Os vencedores do prêmio Whitley são heróis ambientais locais, aproveitando o melhor da ciência disponível e liderando projetos com paixão. Admiro sua coragem, seu compromisso e sua capacidade de influenciar a mudança. Existem poucos trabalhos mais importantes do que os deles.”

A intensificação do esforço de pesca nas áreas costeiras devido a degradação do habitat e a sobrepesca levaram a um aumento no registro de botos mortos por redes de pesca.

Devido a este severo impacto sobre a população de botos a pesca com redes de emalhe foi proibida na porção final do estuário da Lagoa dos Patos e em suas áreas adjacentes em 2012. Porém, muitos desrespeitam a norma e esta medida continua ineficaz para redução da captura incidental. Com isso, a mortalidade por captura acidental se manteve em níveis insustentáveis, sendo responsável por 40% da mortalidade dos botos da região.

Pedro e sua equipe irão estreitar o relacionamento com a comunidade para buscar uma solução. O objetivo é fornecer aos pescadores artesanais um espaço para compartilhar suas opiniões, desenvolver sua consciência sobre a conservação e se envolver na tomada de decisões. Pedro e sua equipe também irão treinar a população local para realizar a vigilância cidadã das águas protegidas, para aumentar a eficácia da zona de proteção.

Edward Whitley, Fundador da Whitley Fund for Nature, disse: “O trabalho vital de Pedro nos mostra que a conservação bem-sucedida tem a ver com a conexão entre as pessoas e nosso mundo natural. Pedro não está apenas protegendo uma espécie muito querida, mas está ajudando uma indústria a aprender como operar de forma sustentável para que possa continuar fornecendo meios de subsistência para as gerações futuras.”

Os ganhadores do Prêmio Whitley de 2021 são:

  • Lucy Kemp, Africa do Sul: Uma abordagem da comunidade para a conservação do Calau-terrestre-meridional

  • Nuklu Phom, Índia: Estabelecendo um Corredor de Biodiversidade Pacífico em Nagalândia

  • Iroro Tanshi, Nigeria: Morcegos à beira do precipício – ação participativa para salvar o morcego de cauda redonda

  • Carlos Roesler, Argentina: Mergulhão encapuzado – guardião das estepes patagônicas

  • Sammy Safari, Quênia: Transformando o futuro das tartarugas do Quênia por meio do manejo costeiro

  • Pedro Fruet, Brasil: Construindo pontes para promover a coexistência com o boto de Lahille

 A vencedora do Prêmio de Ouro da Whitley de 2021:

  • Paula Kahumbu, Quênia: Justiça para as pessoas e os elefantes

Visite www.whitleyaward.org para encontrar mais sobre este prêmio.

 

Fonte: Whitley Foundation for Nature

Colaboração: Eduardo Peixoto