Tartarugas marinhas têm problemas para voltar ao mar no Maranhão

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Tartarugas marinhas têm problemas para voltar ao mar no Maranhão
                                     Tartarugas marinhas têm problemas para voltar ao mar no Maranhão

O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses recebe todos os anos tartarugas marinhas em busca das condições ideais para a reprodução. Mas, mesmo se tratando de uma área de conservação ambiental, muitos animais não conseguem voltar para o mar.

As praias mais remotas se tornaram zona de risco para as tartarugas marinhas. Das sete espécies existentes no mundo, cinco migram para a costa maranhense uma vez por ano. Elas vêm em busca de alimento, de um lugar seguro para botar os ovos. Mas muitas não retornam pro mar.

Pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão ficaram um ano e meio monitorando as praias no Parque Nacional dos Lençóis. Acharam 84 tartarugas mortas.

“Em unidades de conservação, em áreas protegidas espera-se que as espécies estejam mais protegidas, conservadas, porém isso normalmente não acontece, porque tem a questão do lixo, tem a questão das redes de arrasto”, diz a pesquisadora Larissa Barreto.

A sujeira que circula pelas correntes marinhas confunde principalmente a tartaruga de couro – a espécie mais ameaçada no planeta, a mais rara de todas.

“O principal alimento dela é caravela e água viva. Tem o problema da gestão de alimentos do lixo, porque o saco plástico, quando está na água boiando, ele parece com uma água viva e com uma caravela. E ela vai e se alimenta disso”, explica o oceanógrafo Luiz Capran.

Uma das áreas de maior perigo para as tartarugas marinhas é a foz do Rio Preguiças. Num trecho de cinco quilômetros, avistamos seis tartarugas mortas. A tartaruga oliva, agonizando na areia, só precisou de um banho. E uma pequena ajuda da nossa equipe.

“Ter a chance de devolver a vida assim a um animal tão incrível, é uma experiência pra não esquecer. De cada mil filhotes que nascem apenas um atinge a vida adulta. O animal estava muito fragilizado, ficou muito tempo na praia, sob um sol de 40 graus, mas já começa a respirar e tá pronto pra ganhar a liberdade”, conta o repórter.