Roubos a dutos da Transpetro se transformam em tema de reportagem na mídia internacional

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Os investigadores acreditam que os furtos de petróleo e combustível foram planejados pelas poderosas milícias da cidad
Os investigadores acreditam que os furtos de petróleo e combustível foram planejados pelas poderosas milícias da cidad

A Agência Reuters divulgou internacionalmente hoje(4) uma reportagem que expõe a fragilidade do sistema de segurança e  controle da Transpetro sobre sua rede de dutos. A reportagem da agência, distribuída para centenas de veículos internacionais,  fala sobre a descoberta dos investigadores de uma série de assassinatos que estavam ligados a guerras entre gangues criminosas. Eles encontraram uma explicação fixada nos oleodutos: um sistema com sifão  nas tubulações subterrâneas que transportam combustíveis das refinarias de propriedade da Petrobrás. Alguns dos assassinatos, segundo a polícia, faziam parte de uma disputa de poder entre gangues rivais que ganham milhões de reais ao roubar petróleo, diesel e gasolina e vendê-lo em um próspero mercado negro.

A reportagem da Reuters fala sobre o crescente número de furtos, que subiu para 14, em 2015, para 73 no ano passado. Os investigadores acreditam que os furtos de petróleo e combustível foram planejados pelas poderosas milícias da cidade,  compostas por policiais aposentados ou fora de serviço. Os métodos dos ladrões vão desde o sequestro de caminhões-tanque até os mais de 11 mil quilômetros de oleodutos da empresa. Eles chegam a processar o petróleo roubado em suas próprias refinarias secretas, além de vender combustíveis para uma rede de postos que comprar o produto por preço mais barato, aumentando a margem de seus lucros.

“Nem mesmo a Petrobrás sabe exatamente quanto está sendo roubado”, disse à Reuters o Giniton Lages,  delegado  do Rio que liderou a investigação em Duque de Caxias. A polícia suspeita de corrupção nos roubos de petróleo também. As torneiras e cachimbos perto da refinaria Duque de Caxias foram tão precisamente projetados que os investigadores concluíram que os ladrões devem ter tido ajuda de dentro da Petrobrás:

“Os bandidos sabiam que tipo de combustível estava dentro de cada tubulação e que era o ponto ideal para colocar uma torneira sem a mudança de pressão no tubo chamando a atenção do sistema de segurança da empresa”, disse o policial. A investigação aponta para identificar funcionários ou ex-funcionários que possam estar envolvidos nos crimes.

A Agência Reuters diz que a maior parte dos furtos de petróleo e combustível relatados pela Petrobrás em 2016 ocorreu no eixo de São Paulo-Rio de Janeiro, onde estão as cinco das maiores refinarias da empresa. No Rio de Janeiro, os furtos triplicaram no ano passado para 33. Cinco dos incidentes causaram derrames de petróleo.  A polícia prendeu 13 pessoas pelo golpe de refinaria Duque de Caxias, incluindo dois policiais militares. Outras 26 pessoas estão envolvidas. A polícia acredita que o braço do Rio foi chefiado por Caxias Denilson Silva Pessanha, ex-vereador de Duque de Caxias e dono de postos de gasolina ilegais.

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