Projeto vai analisar a dinâmica de vórtices e sua interação entre duas correntes marítimas

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Pesquisas foram desenvolvidas nos laboratórios do Navio Polar Almirante Maximiano na Antártica / Fotos: Proantar Nordeste – Karla Brunet

A iniciativa envolve um esforço conjunto entre 11 instituições, sendo sete nacionais (quatro do Nordeste, uma do Sul e duas do Sudeste) e quatro internacionais (duas americanas, uma japonesa e uma italiana). A Universidade Federal do Rio Grande faz parte do projeto que trabalha com vórtices que são grandes redemoinhos que se formam na junção de duas correntes. O projeto denominado Mephysto foi aprovado em 2018 em edital do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), e vai investigar a biocomplexidade de uma região que é a Confluência de duas correntes marítimas, a corrente do Brasil e a da Malvinas.

 O encontro dessas correntes gera grandes redemoinhos que têm características diferentes de toda a água ao redor e possuem uma maior diversidade biológica. As propriedades desses redemoinhos modificam a transferência de CO2 e calor entre o oceano e a atmosfera. Os cientistas querem saber se essa interação com as correntes marítimas pode influenciar no aquecimento global

O professor do Instituto de Oceanografia da FURG Fabrício Oliveira da Universidade Federal do Rio Grande é um dos integrantes do Projeto Mephysto. Ele explica que são utilizadas informações de satélites para monitorar os vórtices. “A ideia é rastrear e medir as características destes vórtices associados a região da Confluência em termos de suas dimensões e dos seus respectivos transportes de volume e propriedades para as regiões oceânicas adjacentes”.

Para auxiliar a pesquisa Oliveira operou um equipamento oceanográfico denominado Underway CTD (Condutivity, Temperatura and Depth) que é uma sonda capaz de medir temperatura e salinidade ao longo das profundidades. Este equipamento pertence a FURG. O diferencial desse equipamento para o tradicional CTD é que ele é underway, ou seja, realiza medidas ao longo da derrota do navio sem a necessidade de para do mesmo. “Entender a dinâmica oceânica é peça chave para as demais áreas do projeto pois assim saberemos quais as trajetórias realizadas pelos vórtices e qual a capacidade deles em transportar propriedades, nutrientes, biomassa fitoplanctônica, etc”, concluiu o professor.

Para O vice-reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Moacyr Araújo, que também é professor do Departamento de Oceanografia da instituição, e o coordenador do Projeto Mephysto, os vórtices terminam se transformando em verdadeiro oásis de biodiversidade dentro do oceano. “Não podemos nunca esquecer que o oceano, do ponto de vista de vida, é mais desértico do que o deserto do Saara. São em pouquíssimas regiões do oceano que se produz a grande quantidade de peixes”, comentou. Segundo Araújo, dentro desses vórtices existe uma modificação também da troca de calor entre o oceano e a atmosfera.

A expedição teve início no dia oito de outubro do ano passado quando dez pesquisadores embarcaram do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. A primeira fase foi desenvolvida em Punta Arenas, no Chile. Em seguida, os pesquisadores navegaram em direção à Antártica a bordo do navio polar Maximiano da Fonseca da Marinha brasileira. Depois os pesquisadores voltaram para o Brasil em avião da Força Aérea Brasileira.