Práticos de Santos realizam treinamento nos EUA

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Segundo a Praticagem de São Paulo os navios cresceram em tamanho, mas a potência das máquinas não acompanhou essa evolução

Em dois meses, 45 práticos do Porto de Santos terão concluído, nos Estados Unidos, um treinamento focado no acesso de navios com 366 metros de comprimento no cais santista. A preparação será combinada com testes em simuladores da Universidade de São Paulo (USP). Estas são duas frentes de trabalho da Praticagem de São Paulo para garantir manobras seguras dessas embarcações no complexo marítimo. 

 

“Todo o processo de trazer esses navios de 366 metros está em andamento. A gente está se preparando, fazendo a nossa parte com o que foi demonstrado para a Capitania dos Portos de São Paulo e a Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo), no final de 2016, quando fizemos uma apresentação de qual era a nossa ideia para isso. Estamos seguindo o nosso cronograma de preparação”, destacou o diretor superintendente da Praticagem de São Paulo, Bruno Roquete Tavares.

 

Os práticos seguem para cursos feitos em uma semana em um centro de treinamento que fica em Covington (Louisiana, EUA). Lá, os grupos de quatro profissionais utilizam embarcações construídas em escala de 25 para 1. O canal do Porto de Santos foi reproduzido para garantir que as dificuldades sejam as mesmas de um cenário real. 

“É um centro que a gente treina não só em modelo tripulado, que são os navios em miniatura, que a gente vai a bordo, mas também a parte de simulador que a gente dispõe lá. Nesse curso de uma semana, uma parte é em modelo tripulado e outra no simulador”, afirmou Tavares.Cada treinamento custa US$ 7,5 mil (R$ 29 mil) à Praticagem. O valor não inclui passagens aéreas e a estadia dos profissionais durante a semana de curso. 

 

Dificuldades

De acordo com o presidente da Praticagem de São Paulo, Nilson Ferreira dos Santos, os navios cresceram em tamanho, mas a potência das máquinas não acompanhou essa evolução. Isto acontece porque eles foram projetados para grandes trajetos com foco na economia de combustível e nos ganhos em escala. O problema é que esta característica tona a navegação ainda mais complicada nos acessos aos complexos portuários. 

“Além das condições meteorológicas, em que qualquer aumentozinho em força de corrente de vento já tem um impacto muito maior na manobrabilidade do navio, tem a questão que o navio passou a ter características que fugiram totalmente do que a gente vinha recebendo antes. Os navios tinham boa propulsão, não tinham tanto peso. O deslocamento vai aumentar 50% o peso a ser controlado, tendo uma relação entre potência e peso diminuída por conta da economia de combustível e tal”, destacou Ferreira. 

A Praticagem de São Paulo reitera a necessidade do alargamento do canal de navegação do Porto de Santos. A medida visa reduzir os riscos de acidentes durante o acesso das embarcações ao cais santista. 

Após os treinamentos em Covington, os práticos farão outro, na capital. Desta vez, a ideia é utilizar simuladores da USP, através de uma parceria com a entidade. A previsão é de que os cursos comecem ainda neste semestre. “No Brasil nós não temos ainda modelos tripulados, mas a USP tem um simulador muito bom, que é melhor para estudo de canal de acesso, de portos e novos terminais”, afirmou o presidente da Praticagem. 

 

“Além desse treinamento em modelo tripulado em Covington, as outras formas de preparação para este navio são visitas a praticagens que já operam com esse navio, conversando muito com comandantes, com práticos. Essa troca de informações e experiência é muito importante”, destacou Tavares. 

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