Os seios mandam desde sempre

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“Breasts: A Natural and Unnatural History", recém-publicado na Inglaterra, ainda não tem previsão de lançamento no Brasil /Marisa Caduro/Folhapress
ZOE WILLIAMS / DO “GUARDIAN”

Você não vai se arrepender de ler “Breasts: A Natural and Unnatural History” (seios: uma história natural e artificial). As vinhetas históricas são divertidas e poucas.

“As razões pelas quais os seios das mulheres ficam no peito”, escreveu Henri de Mondeville ao rei da França no século 14, “enquanto outros animais mais frequentemente os têm em outros lugares, são de três tipos: Primeiro, o peito é um local nobre, notável e casto; logo, pode ser mostrado com decência; segundo, aquecidos pelo coração, os seios devolvem seu calor a ele, de modo que esse órgão se fortalece. A terceira razão se aplica apenas aos seios grandes, que, por cobrirem o peito, aquecem, recobrem e fortalecem o estômago.” É como perguntar a uma criança de 3 anos o que ela pensa do sol.

No mundo dos seios há muito mais território não mapeado do que existe discussão madura, mas, onde está última se manifestou, o livro de Florence Williams faz dela um resumo sólido e de leitura agradável.

A história começa com a biologia evolutiva: por que temos seios, para começar? A teoria da seleção sexual reza que os seios indicam saúde e juventude, de modo que um homem que se dispuser a olhá-los de perto terá menos probabilidade de desperdiçar seu sêmen em solo árido.

Isso pode explicar a suposta preferência dos homens por seios grandes, já que eles demonstram a passagem do tempo; os seios pequenos, menos suscetíveis à gravidade, poderiam induzir você ao equívoco horrendo de supor que uma mulher de 45 anos tem 35, e nesse caso são 300 milhões de pequenos nadadores que você nunca vai recuperar, homem das cavernas. É algo difícil de falsificar, já que –diferentemente dos polegares– os seios não deixam registros fósseis.