Meganavios: os riscos de acidentes

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Segundo a edição de maio de 2017 da revista Containerisation International, no que se refere a navios de contêineres de capacidade superior a 16.000TEUs, 21 unidades foram encomendadas para 2017 e 34 encomendadas para 2018 e anos seguintes. Incluem-se nesses números o MOL Triumph entregue pela Samsung Heavy Industries Co., Ltd. à Tokyo-Mitsui O.S.K.Lines, Ltd (MOL) com as seguintes medidas: comprimento 400m, boca 58,8m, pontal 32,8m, calado 15,5m e 20.170TEUs de capacidade. Também em março a Maersk Line recebeu da construtora South Korean Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering (DSME), o Madrid Maersk, um navio de contêineres com capacidade para 20.568TEUs, 196.000TB, 400m de comprimento, 58,6m de boca e 12,5m de calado máximo. Em fevereiro de 2016, entretanto, dois meganavios encalharam, o que suscitou grandes preocupações sobre segurança.

De acordo com a Emsa (Agência Europeia de Segurança Marítima), dos acidentes e incidentes marítimos ocorridos entre 2011 e 2015, 12% foram fatais e aconteceram durante viragem total ou adernamento.

Em um artigo técnico publicado na Revista Rumos do Conselho Nacional de Praticagem edição fevereiro/maio de 2018, Manuel Casaca, alerta para os perigos de como um navio grande pode ser perigoso, não só para os práticos, mas também nas operações de manobra com segurança.

Segundo ele, apesar de os acidentes acontecerem com todo tipo de navios, é importante considerar essencialmente o caso dos navios de porte muito elevado. “A realidade é que, algumas vezes, ao chegar ao passadiço o tempo do prático para trocar informação não é muito, quer devido a mau tempo, quer pelo fato de o navio já se encontrar em águas restritas. Assim, o prático pode não ser informado sobre a estabilidade do navio ou sobre qualquer problema importante que possa ter sido esquecido ou omitido”, destaca Casaca, que é capitão da Marinha Mercante Portuguesa, e aposentado da Praticagem do Porto de Lisboa. Atualmente é consultor como especialista técnico para portos da Lloyd’s Register Quality.

Mas como pode um navio grande ser perigoso? Manobrar navios grandes pode tornar-se bastante perigoso se não forem tomadas medidas para eliminar  os perigos. São vários os fenômenos que  podem conduzir a acontecimentos catastróficos. “É certo que inúmeras organizações de praticagem já assumiram o denominado pensamento de risco em conformidade com as ISSO 9001/14001: 2015, 6.1 – ações para tratar riscos e oportunidades. É nossa obrigação, contudo, quando avaliamos a situação de embarque, inquirir tão profundamente quanto julgarmos necessário sobre as condições do navio, por forma a minimizar os perigos que possamos prever, julgando-se que o exposto neste artigo pode fornecer algumas entradas para uma boa análise do risco”, finalizou Manuel Casaca.

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