O risco portuário em tempos de pandemia

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A boa notícia no Brasil é que as operações estão em funcionamento, atendendo todas as medidas de prevenção. E a movimentação mensal aumentou em importantes portos como os portos do Paraná e Rio Grande do Sul.

O porto marítimo é uma das principais portas comerciais de um país. Calcula-se que mais de 80% de todos os bens comercializados internacionalmente são transportados por via marítima. É sem dúvidas uma parte importante da economia global. Fato é que nos anos 70, segundo dados divulgados pelas autoridades portuárias internacionais, o volume de transporte era de aproximadamente 2,6 bilhões de toneladas. Atualmente este número passa de 12 trilhões de toneladas.

Com o novo surto do Covid 19, os portos de todo mundo em resposta à pandemia implementaram medidas, desde janeiro deste ano, para evitar e reduzir ao máximo a contaminação, proteger seus funcionários e manter as operações em funcionamento.

A boa notícia no Brasil é que as operações estão em funcionamento, atendendo todas as medidas de prevenção. E a movimentação mensal aumentou em importantes portos como os portos do Paraná e Rio Grande do Sul. A maior movimentação mensal da história dos portos do Paraná foi alcançada em maio deste ano. O volume foi 44% maior em comparação ao mesmo mês em 2019.

Com o crescimento do setor acompanhado do desafio de prever e reduzir possíveis perdas, é natural o aumento da exposição ao risco. É uma operação complexa e significativa. O comitê de riscos das empresas tem como uma das principais responsabilidades satisfazer a todos os itens referentes a possíveis danos catastróficos que podem paralisar ou até mesmo encerrar as atividades. No cenário atual tudo se torna mais relevante. A gestão de risco terá que ser intensificada, revista e adaptada. Redesenhar procedimentos, implantar novas regras e agilizar processos são fundamentais.

E mesmo com aplicação de normas adequadas, ainda há grandes desafios a serem superados. O acúmulo de mercadorias em trânsito em um porto ou armazém pode exceder o limite de mercadorias armazenadas permitido pelo contrato de seguro, enquanto os estoques ficam parados aguardando seu próximo destino. Além de atrasos e/ou possível suspensão das operações portuárias. É necessário ficar atento aos prazos e limites dos contratos de seguros. O momento exige entender as devidas exposições e como gerenciá-las, para que, em uma perda significativa, qualquer tipo de impacto seja mitigado.

Simone Ramos é Superintendente de Portos e Logística da THB Brasil