O que faz um Capitão de Manobras

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CLC Laudivan Bezerra Ugiete / Revista Unificar

A navegação nas áreas portuárias e em terminais oceânicos requer cuidados adicionais de segurança, devido as mudanças no ambiente (bancos de areia, correntes, posição do canal navegável etc.) e as normas e procedimentos específicos de cada local (velocidade máxima permitida no canal, na aproximação, embarcações de apoio, equipes de terra, normas da autoridade marítima e dos terminais envolvidos). Para auxiliar o Comandante dos navios nas entradas e saídas dos portos, a autoridade marítima determina a obrigatoriedade de embarcar um profissional experiente em manobras de navios, bem como com conhecimento das normas, dos procedimentos e do local onde as manobras ocorrerão. Esse profissional é o Prático.

No entanto, após a entrada e atracação do navio, o Prático desembarca e só volta a embarcar na desatracação e saída do mesmo. Visando também ao aumento da segurança, as empresas da indústria do petróleo que possuem terminais oceânicos (Quadro de Boias, Monoboias, Operações Ship to Ship underway/fundeado e unidades offshore como FPSOs) disponibilizam um Oficial de Náutica experiente (geralmente aqueles que atuaram como Comandantes e Imediatos em navios–tanque) habilitado e treinado no local, para auxiliar o Comandante do navio nas manobras de aproximação, amarração, desamarração e saída do terminal oceânico, além de acompanhamento de manutenções e combate a emergências, sendo que a diferença entre ele e o prático repousa em dois pilares:

  1. As manobras são realizadas em mar aberto, em águas desprotegidas, sem o auxílio de rebocadores;

2. O Capitão de Manobras permanece embarcado no navio, acompanhando todas as fainas referentes a transferência de carga, como: conexão, transferência da carga em si, monitoramento das variáveis dos processos e desconexão, além de monitorar as condições meteoceanográficas (mudança de vento, corrente, swell) a fim de atuar de forma preventiva e até mitigadora em casos de emergência.

Resumo de uma operação padrão:

  1. O Capitão de Manobras embarca no navio de apoio e se dirige a um ponto pré-estabelecido, próximo ao terminal oceânico, onde se dará o embarque no próximo navio que estiver chegando. Dependendo da localização do terminal em relação ao porto de embarque, a viagem até o navio poderá variar de 30 minutos a 12 horas ou mais;

2. Uma vez no ponto de encontro determinado, e após acertar, com o navio, os requisitos e procedimentos para embarque (velocidade, bordo, uso de escada do pratico ou cesta offshore) o Capitão de Manobras e sua equipe embarcam;

3. No passadiço, o Capitão de Manobras fará um briefing de segurança com o Comandante e sua equipe, para alinhar como será realizada a manobra e definir qual será a programação de carga/ descarga do terminal/navio;

4.Nos mesmos moldes do Prático, o Capitão de Manobras aconselha o Comandante durante toda a aproximação e amarração, indicando direção e velocidade, e gerenciando os recursos externos ao navio, como rebocador, lancha, equipe de amarração e contato com o terminal;

  1. Uma vez amarrado o navio, dá-se início a faina de conexão do mangote de carga e liberação da operação (medições, cálculo de quantidades a bordo, inspeção de segurança de acordo com as normas e recomendações internacionais para navios-tanque). Quando aplicável, um rebocador poderá ter um cabo passado na popa do navio. Neste caso ele trabalhara, durante toda a operação, em Pull Back, atendendo as ordens do Capitão de Manobras.

6. Ao termino da transferência da carga, o Capitão de Manobras providencia a liberação do rebocador de apoio (quando for o caso), supervisiona a desconexão do mangote de carga e inicia a liberação documental final do navio;

  1. Estando o navio liberado, sob todos os aspectos, inicia-se a desamarração do mesmo. O Capitão de Manobras, assim como o maestro de uma orquestra, dará as instruções necessárias a sua equipe e a equipe do navio, por meio do Comandante, para que o navio seja desamarrado. Em seguida, o conduzira até uma distância segura do terminal oceânico e, lá, efetuara o seu desembarque, o de sua equipe e do material do terminal;

8. O Capitão e sua equipe agora estão prontos para receber o próximo navio. E assim o ciclo se repete ou, caso não haja navio programado ou aguardando, todos retornam a base, a bordo da embarcação de apoio.

 

Monoboia

Ship to Ship underway

 

Tandem (plataformas, FPSOs)

Quadro de Boias