O dia que o Brasil virou a lata de lixo do mundo rico

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Entre as 680 toneladas de lixo despachadas em 25 contêineres da Inglaterra para o porto de
Santos (SP), estavam bombonas plásticas para transporte de corrosivos, óleo queimado, tinta,
cápsulas de gás e muito lixo eletrônico – entre os quais, ironicamente, centenas de DVDs
com um documentário elaborado em 2008 sobre o processo de mudança climática global

por Diniz Júnior

Compra-se e vende-se lixo pelo mundo em quantidades maciças. O negócio não cheira bem, mas exala o perfume de altos lucros que atrai empresários – e também o crime organizado. O mesmo Reino Unido que enviou lixo para o Brasil compra 200 mil toneladas do produto no exterior. O problema, neste caso, é que os britânicos exportaram para o Brasil lixo tóxico.  Isso é proibido por acordos internacionais – salvo se os países envolvidos concordarem com a operação, o que não foi o caso.

O estranho caso dos carregamentos de lixo que chegaram ao Brasil em 2009 procedentes da Europa, e que desafiaram a Receita e a Polícia Federal, despertou a surpresa. É o Primeiro Mundo livrando-se da carga de seus rejeitos e desperdícios e empurrando-os para os mercados abertos do subdesenvolvimento. Esse episódio completa 10 anos e ganha uma edição especial do Portos & Mercados com o título “O DIA QUE O BRASIL VIROU A LATA DE LIXO DO MUNDO RICO”.

Mas afinal, o que fazer com o lixo que produzimos. Jean – Michel Cousteau fundador da Ocean Futures Society (OFS), em entrevista publicada no livro Toma que o lixo é teu de minha autoria resume muito bem o problema: “Há somente uma única solução: ação individual! As pessoas devem se engajar. As pessoas devem compreender. As pessoas devem agir. E essa atitude resulta daquilo que fazemos em nossas próprias casas, em nossas comunidades e daquilo que na democracia permitimos ou não que nossos governantes façam. Depende de nós e somente nós”.

Uma boa leitura a todos