Ferroviário: Necessidade diária

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Operações do transporte coletivo sobre trilhos contam com novas medidas sanitárias e enfrentam o desafio de manter a confiança dos usuários

Necessidade: substantivo feminino que significa o que é necessário; essencial; o que não se pode evitar. Essa definição é do dicionário, mas, no cotidiano de qualquer grande cidade, certamente, ganha uma a mais: transporte coletivo. É ele que viabiliza o deslocamento de milhões de pessoas, garante acesso a emprego e renda e contribui para que a economia, já tão combalida, continue em movimento. Por essa razão, operadores do transporte de passageiros sobre trilhos mobilizam esforços e recursos, desde o início da pandemia, para garantir a continuidade das operações com segurança sanitária para os passageiros.

Uma série de novos procedimentos passou a fazer parte da rotina das empresas que, além disso, se mantêm atentas a inovações que sejam capazes de reforçar os cuidados nos ambientes compartilhados. Dessa forma, miram, também, no resgate da confiança dos usuários que, pouco a pouco, retornam para o transporte coletivo. Esse é um movimento que, ainda que lentamente, deve acontecer. Pesquisa realizada pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) mostra que, em São Paulo e no Rio de Janeiro, apenas 3% dos passageiros pensam em deixar o transporte público após a crise de saúde.“O setor tem relevância social e não pode deixar de operar.

As pessoas utilizam o transporte público para trabalhar e, geralmente, esse público é de menor poder aquisitivo”, frisa o presidente da ANPTrilhos (Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos), Joubert Flores. As novas medidas, segundo ele, vêm sendo incrementadas sistematicamente, desde o início da pandemia. “No início, começamos com álcool em gel, EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e treinamento para os colaboradores.

A limpeza, que antes era semanal, hoje chega a ocorrer quatro vezes por dia e, em alguns sistemas, a cada viagem. Ainda há a limpeza das estações, bilheterias, corrimãos e catracas.” Na CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) – que opera 150 trens por dia em 271 km de linhas, com 94 estações que atendem a 23 municípios na Região Metropolitana de São Paulo –, as estratégias vão desde o treinamento dos empregados até o investimento em tecnologias com foco na segurança sanitária. “Desenvolvemos cartilhas que explicam formas de precaução de contágio em todo o trajeto até o trabalho e após chegar em casa.

Para os funcionários das estações, temos o uso de máscaras e álcool em gel, e os painéis são limpos pelos maquinistas ao fim do turno. Por meio de um aplicativo, a cada três horas, quem faz a limpeza dos banheiros tem que informar a ação. Dentro dos trens, fazemos uma limpeza chamada de LEV (Limpeza entre Viagem). E quando o trem encerra a viagem, ele é encaminhado para o pátio, onde é feita uma limpeza mais intensa. Doamos 130 mil máscaras nas estações para a população carente”, enumera Pedro Tegon Moro, presidente da companhia.

Fonte: Revista CNT