Entrevista Jorge Wilson Cormack, diretor da Cormack Marítima

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O ano de 2009 foi marcado por uma forte recessão mundial e que atingiu o Comércio Exterior. Isso afetou os negócios da Cormack?

Jorge Wilson Cormack: Em meados de 2008 houve uma queda brusca no frete internacional e consequentemente os nossos clientes, muitos deles, pararam seus navios para aquecer o frete, e, paralelamente a isto, houve a diminuição da exportação do Brasil de Minério para o exterior, causando assim, uma queda significativa em nossos atendimentos em todo o Brasil. Como também houve uma queda na compra do minério no Brasil, tendo como comprador principal a China, foi o chamado efeito dominó que foi inevitável em todos os setores ligado ao comércio exterior. Porém, agora o mercado foi aquecido novamente e tudo voltou praticamente ao normal.
Como a Cormack tinha alguns clientes ligado diretamente neste seguimento de exportação que era o mínerio, fomos afetados sim, mas, entendo que o mercado começou a aquecer novamente no começo de 2010 em marcha-lenta, mas, hoje, no já no meio do ano, posso sentir veementemente este crescimento em nosso país, em todos os setores.

Qual a expectativa para 2010 em termos de crescimento?

Cormack: Na verdade, de agora em diante com o pré-sal e os investimentos que estão sendo feitos para terminais de minério e outros produtos em todo Brasil e mais o aquecimento da indústria naval, no que refere-se a estaleiros, construção de navios para a frota brasileiro de petróleo, plataformas e embarcações off-shore, em Niterói e em todo o Brasil, acredito que o movimento melhorará consideravelmente para os agentes marítimos.

Quais as áreas que a empresa atua fortemente?

Cormack: A Cormack Marítima Ltda, contanto com os seus 15 anos de existência, é uma firma que atua no mercado brasileiro, prestando serviços em 80% para os proprietários dos navios estrangeiros que operam em portos brasileiros, carregando, descarregando, dragando e em outras vezes em transito para pegar combustível e seguir viagem para outros países. Atuamos no seguimento de importação e exportação também, mandando mercadorias para outros países, principalmente para alguns países da Asia, e importamos equipamentos para companhias de geologia e algumas universidades do país, já que possuímos licença para isto.
Atuamos no seguimento do comércio exterior de um modo geral, que é abrangente. Em alguns casos, mantemos parcerias que nos possibilita fechar o círculo de atendimento de ponta a ponta. Resumindo, somos fornecedores, agente de navios, importador, exportador, fornecedor de navios e em alguns casos exclusivamente liberamos peças sobressalantes de navios, fazemos admissões temporária de embarcação, vistoria de condição para navios graneleiros com mais de 18 anos, vistoria inicial de afretamento de petroleiros, plataformas, troca de tripulantes, e assessoria marítima.

Como está o mercado de Cargas de Projeto?

Cormack: A carga de projeto ou heavy-lift é qualquer tipo de carga pesada ou volumosa que, em razão de suas dimensões ou tonelagem, não pode ser transportada em contêiner, exigindo, portanto, equipamentos, carretas, trens, navios ou aeronaves especiais.
Cargas de Projeto sempre existiu e sempre existirá, porém, a logistica que proporciona a entrega porta à porta de um projeto exige experiência e conhecimento de leis que cobrem nossas rodovias e diretamente as estruturas dos nossos portos e rodovias, onde muitas das vezes são insuficientes e mal-conservadas.
Muitas vezes, fazemos a logística da saída da mercadoria do exterior, onde quase sempre é bem mais simples, porém, quando chega aqui a situação complica-se pelos espaços e projetos que temos de porto feitos erroneamente no passado.
Hoje, com a necessidade de novos portos, com melhores calados, etc, acredito que os engenheiros envolvidos nos projetos visualizem esta necessidade que temos, de áreas portuárias mais amplas, melhores estradas e uma infraestrutura adequada as necessidades deste país que já é um país emergente.

Como a Cormack está acompanhando os grandes investimentos que estão sendo feitos na área de estaleiros e plataformas no Brasil?

Cormack: “Se forem concretizadas” vejo como uma coisa excelente, mas, para ser sincero, assisti uma palestra de um renomado economista em Santos em 95 que já falava de um Triangulo de Sepetiba X Viracopos X Santos e até hoje, nada, em termos de estrada, ferrovia, túneis, etc foi feito, então, para ser sincero, acho que a nossa política deve mudar. Precisamos ser mais politizados e exigir mais dos nossos governantes e não deixar que meia-duzia de empresários por interesses próprios decidam o destino deste país.
Sempre é bom termos coisas boas em mente e precisamos ser esperançosos, mas, projeto em papéis é uma coisa, projeto executado é outra coisa.

Lembro-me que num passado não tão distante, o porto do Rio de Janeiro fervia de navios. Não havia berços disponíveis com facilidade e sempre existiam navios na barra esperando a vez para atracar. Hoje o porto do Rio de Janeiro, considerando os berços de carga geral, podemos dizer que está praticamente morto. Um porto que poderia ter um outro perfil, mas, pelas taxas altíssimas e péssima infraestrutura de guindastes e mão de obra especializada, etc., leva o nosso porto a ser o porto com menos índice de desenvolvimento nos últimos dois anos.

Qual a expectativa da empresa em relação ao Brasil sediar a Copa do Mundo o que se refere ao turismo nos portos brasileiros?

Cormack: Acredito que qualquer país que subsidia uma Copa do Mundo, sempre terá muitos benefícios. Com isto teremos o incentivo do turismo internacional e nacional, geraremos empregos de níveis diversos, posição destacada no exterior, e um aumento, com certeza, significativo das estruturas de saneamentos básicos, etc e uma série de coisas que o efeito-dominó de crescimento gera nisto.
Para a Cormack, propriamente dito, poderemos ter aumento no número de navios passageiros e Mega-iates que irão aportar no Rio de Janeiro e Santos, principalmente nestes períodos, e como a Cormack tem, justamente escritórios próprios nestes dois portos, e como atendemos navios, com certeza, vejo esta Copa como um benefício em todos os setores, com certeza.

A Cormack desde 2005 atende Mega-Iates de Luxo que aportam o Rio de Janeiro e outras áreas turísticas no Brasil, normalmente em mega-eventos turísticos, tal como o carnaval, etc., ou até mesmo interesse científico, como a própria Amazônia e as áreas de eco-turismo, como Abrolhos, Fernando de Noronha, etc. A Cormack tem seu nome marcado no exterior para este tipo de assistência. Infelizmente, em nosso país, diferentemente de outros países que tem estrutura turística de renome, pois, ainda falta completa adequação a este tipo de atendimento e falta de pessoal qualificado nas marinas para este tipo de atendimento. Um setor que nos países trazem divisas significativas para o setor turístico.