Entrevista: Cristiano Morales,diretor executivo da Ecovix

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por Diniz Júnior

A 6ª  Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-RS) decidiu em abril deste ano  por unanimidade permitir a retomada da assembleia de credores da Ecovix. Conforme o advogado da empresa, Rodrigo Tellechea, o próximo passo é a remarcação da reunião, que caberá à juíza de primeira instância de Rio Grande.

O plano que será submetido aos credores é a criação de uma Unidade Produtora Independente (UPI), que reunirá os ativos da Ecovix, e a emissão de debêntures (títulos de dívida privada) no mesmo valor, de R$ 3,6 bilhões.  Embora os atuais executivos responsáveis falem em “retomada” das atividades em Rio Grande a partir da decisão, para isso se concretizar ainda é preciso que uma série de fatores se combinem para permitir, de fato, a nova fase do polo naval.

A Ecovix está em recuperação judicial desde dezembro de 2016, com dívida de R$ 7,6 bilhões. O maior ativo da empresa é o maior dique seco da América do Sul, construído para montagem de plataformas, atividade que tem pouco futuro na nova modelagem das encomendas da Petrobras. O diretor executivo da Ecovix  Cristiano Morales concedeu uma entrevista ao Portos& Mercados.

Recentemente a Ecovix ganhou via judicial a oportunidade de mais uma Assembleia de Credores, visto que haviam se esgotado as tentativas de consenso nas anteriores. Visto que possivelmente seja a última oportunidade de aprovação do Plano de Recuperação Judicial, o que os leva a crer na possibilidade de aprovação agora, ou seja o que mudou em relação ao proposto nas assembleias anteriores?

Desde o pedido de recuperação judicial, em dezembro de 2016, a empresa vem trabalhando para estruturar o plano de recuperação judicial de forma que atenda os credores. Não é uma tarefa fácil, considerando a quantidade de credores. Estamos falando de 450, entre bancos públicos e privados e fornecedores nacionais e estrangeiros. Por isso a demora e as suspensões. O que mudou foi que no dia 15 de março colocaríamos o plano para votação, e seria aprovado já que tínhamos conseguido quórum suficiente para todas as classes de credores. Porém, um dia antes a Justiça suspendeu a realização da assembleia.

Com alguma frequência a Ecovix divulga na mídia, possibilidades de retomada das atividades de alguma forma, o que de concreto não acontece. Comenta-se que isso é uma estratégia midiática para sensibilizar a opinião pública e forçar a aprovação da assembleia. Isso faz sentido, ou realmente existe possibilidade concreta de retomada?

Sim, existe a possibilidade de retomada. A potencialidade da operação do estaleiro vai além da construção de plataformas. Estamos falando de uma área de 1 milhão de metros quadrados, com uma localização privilegiada. Além da construção e reforma de plataformas e outras embarcações, o estaleiro permite adicionar operações como atividade portuária com atracação de embarcações e movimentação de cargas, podendo atracar até três navios simultaneamente com o enchimento do dique seco.

Outra operação é processamento de aço para a indústria metalmecânica, já que temos uma indústria moderna, automatizada com capacidade de processar 8.000 toneladas de aço por mês, sem comprometer a atividade de construção de plataformas que deu origem ao estaleiro. Esse trabalho vem sendo apoiado por consultoria especializada no setor e estamos recebendo visitas de diversas empresas interessadas no projeto.

Comenta-se em várias alternativas para a utilização da estrutura do estaleiro em Rio Grande. Qual a expectativa nesse sentido a curto prazo, qual a atividade mais provável, quantos empregos diretos?

A curto prazo a atividade mais provável é concluir a construção da P-71, que se encontra com 30% de avanço físico. Seriam 12 meses de operação, com a possibilidade de geração de até 1.000 postos de trabalho diretos, fora os indiretos, durante a construção, em parceria do grupo japonês Toyo. A médio e longo prazo, com as operações de atividade portuária e processamento de aço, estimamos pelo menos 1.400 postos de trabalho em curso. Claro que a quantidade de postos aumenta havendo novas ordens de construção de plataformas e embarcações.