Em ano de incertezas, renda da soja no país dependerá de guerra comercial

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Em um dos melhores cenários, os argentinos esperam receitas de US$ 18,5 bilhões com o complexo soja, segundo a Bolsa de Rosario. Já o Brasil, após ter atingido US$ 41 bilhões em 2018, deverá ter receitas de US$ 34 bilhões neste ano.

O principal produto da pauta de exportação do Brasil, a soja, terá dias incertos pela frente. A safra recorde já não deve ocorrer mais e, mesmo com a quebra de produção interna, os preços poderão cair.

Tudo vai depender de eventuais acertos entre EUA e China. A guerra comercial travada pelos países resultou em uma taxação de 25% no produto americano pelos asiáticos.

Os Estados Unidos, os maiores produtores mundiais, praticamente continuam fora do mercado chinês. O resultado é que o país da América do Norte deverá terminar o ano-safra, em 31 de agosto, com estoques recordes de 26 milhões de toneladas de soja.

Qual o perigo para os produtores brasileiros que não fizeram vendas antecipadas? Além de ter uma produção menor, devido ao clima, poderão vender a soja com valores menores.

Se EUA e China colocarem um fim na guerra comercial, o Brasil sentirá uma forte concorrência dos americanos nas exportações de soja.

Pior ainda se os dois acertarem um acordo de compensação para o período em que os portos chineses estiveram praticamente fechados para o produto norte-americano, segundo André Pessôa, da consultoria Agroconsult.

Para Daniele Siqueira, da AgRural, essa compensação poderá ocorrer, uma vez que estarão envolvidos muitos produtos na negociação. “Mas qualquer acordo entre os dois já vai determinar novo patamar de preços com a queda da taxa de 25%”, diz ela.

Os chineses voltaram a comprar alguns lotes dos EUA para repor estoques. Já as exportações de Brasil, Argentina e Paraguai deverão se intensificar só nas próximas semanas.

Nesta safra 2018/19, os EUA embarcaram 18 milhões de toneladas, abaixo dos 31 milhões de média de igual período dos últimos cinco anos.

Esses embarques não mostram o país que importou. O relatório que apontaria a origem das importações não está sendo divulgado pelo Usda (Departamento de Agricultura dos EUA) devido ao “shutdown”, segundo Siqueira.

Os produtores brasileiros vão provavelmente ter também a concorrência dos argentinos no mercado de soja. Após uma forte quebra de safra no ano passado, quando a produção foi de apenas 38 milhões de toneladas, os produtores do país vizinho deverão colher 55 milhões de toneladas.

Mas os argentinos também dependem de acertos entre EUA e China. O fim da guerra comercial ou a manutenção dela significa exportações de 7 milhões a 15 milhões de toneladas de soja.

Em um dos melhores cenários, os argentinos esperam receitas de US$ 18,5 bilhões com o complexo soja, segundo a Bolsa de Rosario. Já o Brasil, após ter atingido US$ 41 bilhões em 2018, deverá ter receitas de US$ 34 bilhões neste ano.

Os EUA voltaram a produzir uma safra recorde: 125 milhões de toneladas. Já os três principais produtores da América do Sul (Brasil, Argentina e Paraguai) deverão colher próximo de 180 milhões. Em 2018, foram 168 milhões.

As exportações de algodão iniciaram o ano bastante aceleradas. No ritmo das duas primeiras semanas, o mês deverá terminar com exportações de 196 mil toneladas. Em igual período de 2018, foram 80 mil. As vendas externas de carne bovina brasileira também mantêm ritmo intenso. Podem atingir 119 mil toneladas no mês, 26% mais do que em janeiro de 2018.

A Bunge Açúcar & Bioenergia destinou 70% da cana-de-açúcar processada pelas usinas da empresa para a produção de etanol na safra 2018/19.Na avaliação dos técnicos do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), os preços mundiais melhores para o açúcar deverão elevar o percentual de cana a ser destinada ao produto na safra 2019/20. Mesmo assim, 60% da cana a ser moída irá para a produção de etanol.

Fonte: Valor