DIÁRIO DE BORDO – 1 EXPEDIÇÃO BRAVO ZULU

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EXPEDIÇÃO BRAVO ZULU

Nesse momento em que os leitores do Jornal Agora (impresso e online), e do site Portos & Mercados estiverem lendo o Diário de Bordo, a Expedição Bravo Zulu, formada pelo jornalista Diniz Júnior, o fotógrafo Guga Volks e o cinegrafista Thiago Piccoli Cunha, começam a rumar para a Antártida. No caminho um enorme desafio: a conexão em Santiago do Chile para Punta Arenas, ponto de partida para a Expedição, onde o navio Maximiano da Fonseca, o “Tio Max”, aguarda a equipe. Desde domingo passado violentos protestos se espalharam pelo Chile obrigando as companhias aéreas cancelarem cerca de 200 voos.

O projeto Bravo Zulu nasceu em 2012, quando fomos selecionados para participar de uma missão na Antártida. Infelizmente neste ano a Estação brasileira Comandante Ferraz foi destruída por um incêndio e a missão foi cancelada. Refizemos o projeto e foi aprovado pelo setor de Comunicação da Marinha em Brasília. A missão começa dia 27 de outubro e encerra dia 20 de novembro.

VIDA MARINHEIRA

Tem um lado que dificilmente aparece nas reportagens sobre a Antártida: a vida dos marinheiros, que passam meses a bordo dos navios antárticos; os mergulhadores que pulam na água gelada para empurrar os botes dos pesquisadores; os tripulantes e sua disposição ímpar. Militares e cientistas superam as dificuldades da rotina, do frio e do isolamento, e é todo esse esforço que garante a presença brasileira no continente fazendo as pesquisas. Esse será o foco principal do livro e do vídeo que serão produzidos.

POR QUE TANTO INTERESSE PELO CONTINENTE?

 Por que tanta atração por um território onde a temperatura chega a 89 graus negativos (registrado em 1983 na estação de pesquisa russa de Vostok, na Antártida Oriental), e os ventos chegam a 300 km por hora? A questão é saber se é necessário fazer grande investimento na Antártida na construção de uma base mais moderna. Acredito que seja. A Antártida é estratégica, não do ponto de vista militar, mas sim pelas riquezas existentes no continente.

Existem reservas minerais importantes. As rotas transpolares é outro tema interessante. O continente é um ponto de encontro dos oceanos Atlântico Sul, do Índico e do Pacífico. Ou seja, existem possibilidades de serem criadas rotas comerciais importantes, mas é necessário garantir o tráfego de navios. Estando na Antártida, torna-se tudo mais fácil para garantir a participação nesse comércio. A Antártida é tão estratégica para o Brasil quanto a preservação da Amazônia ou do Atlântico Sul. O continente é o principal regulador térmico da Terra. A região controla as circulações atmosféricas e oceânicas, influenciando o clima e as condições de vida em todo planeta.

TRATADO ASSINADO EM 1959

O acordo Internacional congelou a ambição de países que queriam conquistar o território e explorar o continente gelado para fins políticos e comerciais. Hoje 3o países têm base científicas na Antártida, onde é proibida pelo Tratado Antártico qualquer pretensão militar.  Sendo assim, a Antártida pertence à humanidade. A Argentina considera que uma parte da Antártida faz parte de seu território. O mesmo ocorre com o Chile. O cantinho brasileiro na Antártida não é militar, mas é a Marinha que coordena todo o apoio logístico.

ESTAÇÃO

A primeira estação foi inaugurada em 1984, que era basicamente um aglomerado de contêineres interligados. Uma construção imponente, sustentável e moderna de US$ 99,6 milhões será a casa brasileira no continente antártico. A base é composta por três blocos. Tem 14 laboratórios, refeitórios, cozinha e setor de saúde. 32 camarotes, biblioteca, ginásio e auditório, além de paiois de mantimento e tanques garagem, caldeiras, um e estação de tratamento de água e esgoto. Há ainda oito aero geradores.

ANTÁRTIDA OU ANTÁRTICA?

Ambas as formas são aceitas: Antártida e Antártica, e alguns estudiosos acreditam que Antártica seja o mais correto, pois viria do grego Antarktikós, que quer dizer “anti-Ártico”, “do outro lado do Ártico”. Ou seja, alguns gramáticos defendem uma maneira de escrever, e outros, outra. O que quer dizer que não se pode considerar errada nem uma nem outra.