Comunicado Oficial: Segurança do embarque do prático foi desrespeitada

0
333
IMPRIMIR

A Praticagem do Estado de São Paulo recebeu a autorização da Autoridade Portuária para fazer a manobra na entrada do Navio NM Saldanha no Porto de Santos, às 3 horas da madrugada de sexta-feira (17), e não foi comunicada sobre um tripulante com suspeita de coronavírus na embarcação. O prático subiu apenas com a proteção básica (luva de látex e máscara) e sem a roupa especial. O Comandante então lhe disse que não havia recebido a “Livre Prática” e que o navio estava entrando para que toda a tripulação fosse testada pela ANVISA, pois havia um tripulante com sintomas isolado em uma cabine. 

O Presidente da Praticagem, Carlos Alberto Souza Filho, destaca que não foi acionado o Plano de Contingência nem houve nenhuma comunicação prévia para que fossem tomadas providências extras de segurança. “O prático levou um susto quando foi informado pelo comandante do navio que havia um suspeito a bordo”, ele conta. 

Depois dos testes, o tripulante suspeito não teve a contaminação confirmada, mas outro sem sintomas estava infectado pelo CORONAVÍRUS . E esse tripulante estava circulando normalmente pelo navio podendo ter contaminado outros tripulantes e o Prático, que por sua vez passou a ser um possível vetor de disseminação do vírus para a comunidade.

 “O NM Saldanha atracou, não operou e depois da confirmação pela Anvisa de que havia pelo menos um infectado a bordo, foi acionado o plano de contingência para a saída do navio para a quarentena no fundeadouro”. Só neste momento, na sexta-feira à tarde, a Praticagem foi avisada da suspeita e da confirmação do caso de COVID19 em um tripulante.

 Essa falha de comunicação expôs o Prático, que agora está afastado em quarentena até que seja testado, a um risco desnecessário sem a proteção adequada. Essa situação de risco já está sendo denunciada pela Praticagem desde janeiro e agora se concretizou. “O que nós defendemos é que a Anvisa altere esse protocolo, baseado no Regulamento Sanitário Internacional. Defendemos que haja uma fidelidade maior a esse protocolo internacional e que o navio vá para um fundeadouro, um lugar mais abrigado, para que os técnicos da Anvisa possam subir a bordo e verificar. Nós práticos somos os primeiros a subir a bordo, temos os nossos próprios riscos e não queremos ser vetores da doença para nossos familiares e para toda a comunidade”.

O Presidente da Praticagem diz que os práticos não são profissionais especializados nessa área e que correm o risco de cometer deslizes a bordo, mesmo usando os equipamentos especiais: “Podemos nos infectar e passar isso para frente. É preciso sim uma revisão desses protocolos porque a Anvisa tem os profissionais qualificado, equipamentos adequados para identificar e se protegerem. A inspeção em todos os tripulantes, no caso de a Anvisa ir a bordo, pode ser feita no convés, numa área aberta, com o vento no sentido contrário. No nosso caso não, circulamos em uma área confinada do navio, o ambiente em que o ar circula pelo sistema interno e a proximidade com tripulantes e o contato com equipamentos é inevitável “.

Para ele, atualizar essa questão do protocolo é urgente: “Não podemos garantir que daqui para a frente não venham outros vírus e outras situações de maior letalidade. É importante tomar já as medidas preventivas para as demais situações que poderão acontecer nesse mundo globalizado em que vivemos”, conclui Souza Filho.

LEIA MAIS SOBRE PRATICAGEM X CORONAVIRUS