Casal Sonia Bridi e Paulo Zero estreia nova série no ‘Fantástico’

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O casal de jornalistas Paulo Zero e Sonia Bridi/ Foto Paula Giolito

O GLOBO/ REVISTA TV

Foi um Cupido que promoveu o encontro de Sonia Bridi e Paulo Zero. Literalmente. Ela havia acabado de chegar a Nova York, em 1995, onde trabalharia como correspondente. Ele já era cinegrafista do escritório da Globo no local. A dupla foi enviada para cobrir a descoberta de que uma escultura, do acervo da Casa de Cultura da França, era um trabalho perdido de Michelangelo. Era a representação de um Cupido.

— Foi amor à primeira matéria — diz Sonia, rindo.

Desde então, eles vêm repetindo a parceria profissional. E o mais novo projeto do casal estreia neste domingo. Para fazer a série de reportagens “Planeta Terra, lotação esgotada”, no ar no “Fantástico”, exibido às 20h45m, os jornalistas visitaram os cinco países mais populosos do mundo — China, Índia, Indonésia, Estados Unidos e Brasil —, além de três nações do continente que mais cresce, a África — Angola, Quênia e Ruanda. Em cinco episódios, a atração vai adiantar a discussão de temas que estarão em pauta na Rio+20, como o modelo energético e a produção de alimentos num mundo com 7 bilhões de pessoas.

— O foco da série é pensar como é possível se desenvolver num planeta que, digamos, já está no cheque especial. Já gastamos mais recursos do que podemos repor. Tentamos mostrar os dois lados: o diagnóstico de problemas e algumas soluções que estão sendo tentadas nestes lugares — explica a jornalista.

Um dos locais que mais chamaram a atenção da dupla fica no Quênia: Kibera é considerada a maior favela do mundo. Lá, eles contam, não há um sistema de esgoto, nem mesmo gás para fazer comida. Para cozinhar, a população precisa comprar lenha, carvão ou até mesmo queimar lixo. O projeto que Sonia e Paulo conheceram é simples e promete resolver os dois problemas.

— Foram instalados banheiros públicos que transformam os dejetos em gás, com biodigestores. As pessoas saem de lá com um balão enorme de gás (que funciona como um bujão) — conta Paulo.

Sonia ficou impressionada com o lugar, onde viu “uma nova dimensão da miséria”. Mas foi lá também que se deparou com uma das cenas mais comoventes da viagem, a de uma mulher que a parou no meio da rua para dizer: “Olha como estou saudável. Nunca mais tive cólera nem diarreia”. Dar o mínimo de condições de sobrevivência para as pessoas é um dos maiores desafios do mundo, segundo ela:

— Ficou claro para mim que é preciso primeiro levar desenvolvimento urgentemente a muitas partes do planeta que ainda não foram nem tocadas por ele. E também me parece que melhorar a vida das pessoas não significa exatamente colocar todos no padrão de consumo dos americanos. Porque aí precisaríamos de cinco planetas.

Entre os bons exemplos mostrados nas reportagens estão o projeto Earthship, de construção de casas autossustentáveis, no Novo México, nos EUA; e a Ecocity, uma cidade inteira formada apenas por prédios inteligentes, na China. No país asiático, a dupla mostra também uma fábrica de painéis solares, tipo de produção energética que teve uma queda enorme de preço depois de sua adoção em massa pela população. Na África, a dupla esteve em Ruanda e visitou a famosa Montanha dos Gorilas, que hoje é alvo de um projeto turístico de grande porte. O dinheiro pago pelos visitantes é revertido em melhorias para a comunidade, que agora luta pela preservação dos bichos.

O interesse dos dois pela sustentabilidade vem de longe. Por coincidência, ambos estiveram na cobertura da Rio-92, ainda antes de se conhecerem. Juntos, foram correspondentes em Nova York, na China, em Paris e fizeram inúmeras viagens, entre elas a que rendeu a série “Terra, que tempo é esse?”, exibida em 2010, sobre as mudanças climáticas do planeta. A parceria é pessoal e muito profissional também.

— Não trabalho com o Paulo porque ele é meu marido, mas porque é o melhor cinegrafista que alguém pode querer ter ao lado. Ele é um jornalista incrível, sabe qual é a melhor imagem, conhece todo mundo, é inteligente… — elogia Sonia.

Mas, como qualquer relação de trabalho, nem tudo é elogio na rotina dos dois. As discussões existem, mas a dupla afirma que, diferentemente do que diz o senso comum, o fato de serem um casal facilita a vida profissional.

— Acho que temos discussões do jeito que todo mundo deveria ter: sem problemas de hierarquia. Eu falo o que penso realmente para ela, e vice-versa. Temos intimidade para isso. Posso dizer, de vez em quando: “Essa passagem está horrorosa” — conta o cinegrafista, completando: — Também é bom o fato de enxergarmos as coisas de maneira parecida.

Os dois realmente não costumam divergir no que diz respeito a forma, conteúdo e questões éticas. Mas é só falar de aventura que o bicho pega. A dupla ri ao lembrar a experiência de escalar o monte Kilimanjaro, em 2010, durante a série sobre mudanças climáticas. “O Paulo não vê romantismo em dormir em barraca”, conta Sonia, que convenceu o marido a encarar uma caminhada de vários dias. Hoje, ele diz, fica orgulhoso em ter conseguido. “Mas, na hora, só xingava ela”, lembra Paulo.

Com dezenas de viagens no currículo, Sonia e Paulo não contabilizam a quantidade de países que conhecem no mundo. Uma vez, numa brincadeira diante de um mapa, pararam de contar quando chegaram ao número 100. Apesar de adorarem esta vida, garantem que ela não é tão glamourosa quanto parece e que demanda paciência lidar com a burocracia de aeroportos, malas e hotéis. Mas quem sofre mesmo com as longas temporadas da dupla fora do Brasil é Pedro, o filho do casal, de 10 anos.

— Esta última viagem foi especialmente difícil para ele. Num dos dias, ligamos da Índia e ele perguntou: “Quando vocês vão se aposentar?”. Eu respondi que só daqui a uns 15 anos e ele: “Mas aí não vai adiantar mais, vou estar muito velho” — diz a mãe, de coração partido: — Penso seriamente que este seja meu último projeto tão grande, com tantas viagens. Acho que, até ele ficar grandinho, vou querer ficar mais perto.

Paulo, que conhece bem a mulher, aposta:

— Isso ela diz agora. Quando chegar o ano que vem, ela começa: “Pensando bem….”.