‘Capitão Phillips’ joga holofote sobre os piratas modernos

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Tom Hanks é o astro do filme "Capitão Phillips": papel baseado em personagem real pode valer nova indicação ao Oscar (Foto: Divulgação)

Em 2009, um navio de carga americano foi abordado por piratas na costa da Somália. Após muita negociação, o capitão Richard Phillips se ofereceu como refém em troca da liberdade da tripulação e os invasores fugiram com ele a bordo de um bote de apoio coberto. A operação de resgate é detalhada no drama Capitão Phillips, de Paul Greengrass. Em Vôo United 93 (2006), o diretor recriou ficcionalmente os acontecimentos no interior de um dos aviões sequestrados nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Agora, recorre novamente ao seu estilo documental para abordar um episódio real e recente.

Bastante tenso, o filme se baseia no livro A Captain’s Duty, escrito por Phillips e pelo jornalista Stephan Talty. E apresenta em detalhes não só o que acontece dentro do bote, como também os profissionais envolvidos no salvamento – principalmente, a precisão dos fuzileiros navais que, à certa altura, comandaram a ação. Há também uma tentativa de humanizar os piratas – cada personagem não é um mero capanga malvado. A direção e a montagem são eficientes e não perdem muito tempo com firulas sentimentais.

Tom Hanks é o capitão que se sacrifica para salvar a tripulação do navio diante de um ataque de piratas somalis em "Capitão Phillips": bandidos com alma e chances de Oscar (Foto: Divulgação)

 

Mas o trunfo do filme está no trabalho dos dois atores principais. Na pele do capitão, Tom Hanks entrega sua melhor performance desde Náufrago (2000) e pode conseguir sua sexta indicação ao Oscar de melhor ator. Ele sabe convencer como o homem comum em uma situação extrema. Já o ex-taxista de origem somali Barkhad Abdi pode ser a surpresa entre os candidatos a melhor coadjuvante. Mereceria, pois o ambíguo Muse, líder dos sequestradores, é um antagonista de peso.