Brasil teria aumento de US$ 10,5 bi com guerra comercial, prevê agência da ONU

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As barreiras entrariam em vigor em janeiro de 2019. Mas foram adiadas para o dia 1 de março, na esperança de que haja um “acordo de paz” entre as duas potências.

A guerra comercial entre EUA e China pode render um aumento de mais de US$ 10,5 bilhões para as exportações brasileiras. Mas a situação também pode afetar a competitividade de certos setores de alimentação que usam a soja domesticamente como insumos. Isso é o que prevê a Organização das Nações Unidas (ONU), em um novo levantamento que tenta mapear quem ganharia e quem perderia com a tensão inédita entre Pequim e Washington.

A constatação é de que, longe de criar o resultado que o presidente Donald Trump espera, as barreiras apenas farão com que os bens chineses sejam trocados por bens de outros países. E não por produtos fabricados nos EUA, como a campanha da Casa Branca prometia.

De acordo com o estudo liderado pela Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), quem mais ganharia com a proliferação de tarifas nos EUA e China seriam os europeus, que têm um potencial de capturar US$ 70 bilhões nesse novo cenário. US$ 50 bilhões viriam do espaço que ocupariam no mercado americano substituindo os produtos chineses. O restante viria de um melhor acesso ao mercado chinês, desta vez substituindo os produtos americanos.

Os cálculos ainda mostram que Japão, México e Canadá teriam um aumento de exportações de US$ 20 bilhões. Ainda que os dados sejam pequenos diante do total do comércio global, a ONU aponta que, em certos países, os ganhos seriam importantes. No caso do México, a alta seria de US$ 27 bilhões, o que representaria 6% de todas as vendas do país.

As tensões começaram a se tornar realidade no início de 2018, quando a China e EUA impuseram um total de barreiras que atingiram US$ 50 bilhões de cada uma das duas economias. “A confrontação rapidamente escalou e, em setembro de 2018, os EUA impuseram 10% de tarifas cobrindo US$ 200 bilhões de importações chinesas”, indicou a agência. Pequim respondeu com uma retaliação contra produtos americanos no valor de US$ 60 bilhões.