A estância das seis queijeiras

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Toque feminino: Luciana (ao centro), juntamente com a filha Carolina (a direita) e a mãe Lucia (no canto a esquerda), lideram um grupo de mulheres que produzem nove tipos de queijos no Rio Grande do Sul

por Diniz Júnior

Quem foi que disse que a mulher não nasceu para trabalhar no campo? Mais do que mudanças estatísticas, a presença feminina já vem sentindo efeitos práticos no setor agropecuário. O censo mostra que, apesar de tímido, o aumento da presença feminina nos estabelecimentos rurais do Brasil e do Rio Grande do Sul reflete mudança de comportamento. As mulheres comandam mais de 950 mil propriedades agrícolas no Brasil. As perspectivas para o empreendedorismo aumentam ainda mais com o crescimento do agronegócio.

No sul do Rio Grande do Sul, seis mulheres comprovam que o empreendedorismo feminino está cada vez mais presente no campo. Luciana Teixeira Peixoto de Queiroz fundou a agroindústria Queijos da Estância juntamente com a mãe Lúcia Maria Silveira Pages. O empreendimento está localizado no Taim, distrito da cidade do Rio Grande. A agroindústria faz parte  da Estância do Curtume, onde 44 hectares são utilizados   para a produção de leite.

UM SONHO REALIZADO

A agroindústria trabalha com nove tipos de queijos feitos com leite de 13 vacas da raça Jersey e Holandesa. Industrializa cerca de 350 litros de leite por dia para a produção de 50 quilos de queijo / dia. Nessa semana a Queijaria recebeu o certificado do Serviço de Inspeção Municipal (SIM), em uma solenidade que contou com a presença do prefeito do Rio Grande Fábio Branco. A certificação  vai possibilitar o alcance a outros setores comerciais, aumentando, dessa forma, a rentabilidade do seu empreendimento e agregando valor aos seus produtos.

Desde 2017, a Estância do Curtume tem investido na atividade leiteira, iniciando projeto de produção artesanal de queijos. Todo o projeto de implantação e construção teve a participação familiar e o importante apoio da SMPAC e da Emater, fundamentais para a regularização sanitária do empreendimento e segurança alimentar da população que os consome. O foco de vendas está atualmente em restaurantes, empórios e mercados. Para Luciana Queiroz, filha dos proprietários da Estância, o recebimento do certificado é a realização de um sonho. “Nós começamos esse negócio pequeno, produzindo um queijo e outro, vendendo, sempre querendo expandir, crescer. E é muito difícil se você não estiver legalizado. Esse pequeno papel representa a realização de um sonho, a possibilidade de podermos comercializar, levarmos nossos queijos para Rio Grande inteira, para todo mundo conhecer, para todo mundo poder apreciar o nosso trabalho”, disse Luciana que destacou o trabalho da Emater em todo o processo. “ A Emater foi fundamental. Ajudou desde o início na elaboração e na aprovação do projeto, execução e aprovação da licença. Foi uma parceria extremamente importante. Sem eles talvez não tivéssemos conseguido”, destacou.

Na opinião de Lúcia Maria Silveira Pages os desafios são grandes.O objetivo agora é conseguir o Selo Arte que permite a comercialização dos produtos em território nacional. “O selo foi sancionado pelo governo federal para ser regulado pelo governo estadual. Infelizmente o governo estadual só concedeu o selo para o queijo serrano. Agora precisamos mostrar que a nossa região também tem tradição queijeira com o queijo colonial e conseguir a inclusão”, disse Lúcia.

Para quem tem interesse em visitar e conhecer a Agroindústria Queijos da Estância,ela está localizada localizada no Km 525 da BR-471, na estrada que vai para o Chuí, próximo a Capilha. Visitações são com hora marcada, pelo WhatsApp (53)99999-6261 / https://www.facebook.com/queijosdaestancia

 

                                     QUEIJOS PRODUZIDOS NA ESTÂNCIA

                 Polanzinho, Querencia ( Morbier), Mozarela Flor de Leite

                       Burrata, Porteiras ( Port Salut), Tamer ( Parmesão)

              Colonial da Casa, Colonial da Estância, Colonial da Estância Negro