Praticagem expande centros de simulação durante a pandemia

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Um dos centros de simulação mais completos é o do Rio de Janeiro, que iniciou operações em abril. Em parceria com a USP, o Conapra também está montando um centro de simulação em Brasília

A praticagem vem expandindo seus centros de simulação nos principais polos portuários do país. As restrições a viagens internacionais e a deslocamentos domésticos contribuíram para que a categoria focasse em treinamentos e simulações em instalações próprias ou da Universidade de São Paulo (USP), uma de suas principais parceiras tecnológicas. Um dos centros de simulação mais completos é o do Rio de Janeiro, que iniciou operações em abril. O centro de simulação de manobras (full mission) no Rio, instalado em anexo ao seu centro de controle operacional, tem um módulo específico para operação com rebocadores. As praticagens do Ceará, Maranhão e São Francisco do Sul também contam com simuladores para treinamentos de práticos.

Os atuais centros são destinados a treinamentos com cenários da zona de praticagem específica, onde o prático pode treinar manobras de emergência e realizar atividades que costumavam ser feitas em simuladores de terceiros, geralmente fora do Brasil e, agora, podem ser feitas no país. O vice-presidente do Conselho Nacional de Praticagem (Conapra), Otavio Fragoso, disse que a falta de possibilidade de treinar fora do Brasil estimulou as zonas de praticagem a procurar soluções nacionais. “Sentimos essa necessidade porque, desde o início da pandemia, tivemos que parar nossas viagens que fazíamos para treinar em simuladores ao redor do mundo. A praticagem realizou nos últimos anos treinamentos de vários tipos em vários simuladores em outros países”, lembrou Fragoso.

Em parceria com a USP, o Conapra também está montando um centro de simulação em Brasília. Com as futuras instalações, será possível realizar simulações de engenharia no simulador da USP ou no simulador do Conapra em Brasília. Fragoso explicou que a tecnologia será a mesma e o controle da simulação será feito pela USP. “Além de permitir acesso a facilidades que não teríamos no simulador normal porque são oferecidas pelo padrão tecnológico desenvolvido pela USP, podemos simular uma série de situações que podem ser úteis nos projetos de engenharia”, adiantou.

O vice-presidente do Conapra destacou que o simulador do Rio de Janeiro (full mission) é um dos mais avançados em termos de equipamentos, enquanto o de Brasília terá características ainda superiores, na medida em que vai incorporar outras facilidades para projetos de engenharia. Fragoso ressaltou que a praticagem não tem a finalidade de fazer simulação de projetos de engenharia, normalmente feitas pela USP.

Ele citou que, recentemente, terminais do Amapá fizeram simulação na USP e que Santos fez simulações para navios com 366 metros. “Todos projetos que envolvem novos terminais ou alteração do navio-tipo, mexendo em características de canal de acesso ou bacia de evolução ou redefinir profundidades para atender as necessidade dos terminais, são feitos na USP”, ressaltou.

Ele contou que o Porto Sudeste (RJ) vai começar operação ship-to-ship e passa por análise preliminar de riscos. Os estudos com participação do Labtrans visam indicar como será feita a simulação nas futuras manobras. Fragoso disse que a demanda de novas simulações diminuiu um pouco com a pandemia, mas continuam a ser importantes pois ocorrem permanentemente tentativas de crescimento de padrão de navio ou acrescentar novos tipos de operação.

“Chegamos no limite que, praticamente, não conseguimos mais fazer nada ir adiante sem processo de simulação porque estamos perto do limite que as normas estabelecem”, salientou. Ele observa que, cada vez mais, operadores de terminais e armadores procuram evitar despesas desnecessárias, como no uso de dragagem, sinalização e rebocadores, com desafio de tornar as operações mais econômicas e seguras.

Fragoso disse que, atualmente, as únicas simulações que precisam ser feitas fora do Brasil são aquelas com modelo tripulado, que possuem ‘miniaturas de navios’ que reproduzem em menor escala características de navios em tamanho real. Os práticos brasileiros costumam passar por esse tipo de simulação em países como Estados Unidos, França e Panamá. Praticagens, principalmente da América do Sul e do Panamá, já vieram participar de cursos de atualização de práticos (ATPR). Fragoso citou a Argentina, que enviou práticos para o Brasil e começou a desenvolver um sistema semelhante. Atualmente, o ATPR aguarda a retomada das aulas presenciais, interrompidas durante a pandemia.