O navio inglês “Prince of Wales”, pivô da chamada “Questão Christie”

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Imagem1A Questão Anglo-Brasileira se originou de dois episódios aparentemente normais. O primeiro ocorreu no Rio Grande do Sul, na praia do Albardão em Rio Grande (RS) no dia 7 ou 8 de junho de 1861.Uma embarcação, que mais tarde se soube que era chamada de Prince of Wales sofreu um naufrágio. Foram encontrados 10 corpos de marinheiros pertencentes à embarcação um pouco longe da praia. Alguns barris e caixas de marinheiros tinham sido despedaçados sobre a praia, porém outros haviam sido evidentemente abertos e roubados o seu conteúdo. Esse navio estaria entre os que foram atraídos para a beira da praia pelos bandoleiros que aterrorizavam os campos neutrais há dois séculos, incidente que foi o pivô da chamada Questão Christie que quase resultou em um conflito armado com a Inglaterra, que chegou a deslocar barcos de guerra para a região.

Um representante da Inglaterra, M. Vereker (ou Wereker), que na época era cônsul na cidade portuária de Rio Grande acompanhou o caso e levantou a denúncia de que os marinheiros de nacionalidade britânica tivessem sido assassinados após o naufrágio, e que seus pertences tivessem sido roubados, uma vez que não foram encontrados dinheiro ou relógios junto aos corpos, e que alguns cadáveres estavam semi-nus. O governo brasileiro havia se mostrado cauteloso quanto à hipótese de que esses marinheiros tivessem sido realmente mortos, pois o naufrágio aconteceu em local deserto e inóspito para que fossem praticados por súditos brasileiros sobre estrangeiros inermes.

marinha_brasilO segundo caso ocorreu no Rio de Janeiro, no morro da Tijuca, no ano de 1862. Três marinheiros ingleses, incluindo um capelão, estavam voltando bêbados para a Fragata Forte, estando os três à paisana, quando se depararam com uma barreira policial. Os três não obedeceram à ordem de se identificarem, recusando a “declinar seus nomes e qualidades” o que gerou uma briga corporal entre os militares brasileiros e esses ingleses. Os três britânicos foram presos. Como já havia cobrança de explicações sobre o naufrágio, esse episódio agravou o diálogo entre os representantes britânicos no Brasil e as autoridades diplomáticas brasileiras, porque os britânicos exigiam tanto a indenização como a retratação para os seus militares.

O nome que esteve à frente deste impasse diplomático foi o de William Douglas Christie, embaixador britânico no Brasil, que fez dos incidentes internos conflitos internacionais. Christie culpou o Império brasileiro pelo naufrágio e acusou-o de negligência. O embaixador exigiu uma indenização pela carga perdida e punição aos militares responsáveis pela prisão dos três ingleses.

Inicialmente D. Pedro II negou-se a pagar as indenizações e teve apoio da população fluminense, descontente com a postura dos ingleses. Após ter as reparações negadas pelo Imperador, Christie deu sua resposta confiscando cinco navios mercantes brasileiros. D. Pedro II decide pagar a indenização, mesmo sob protestos daqueles que defendiam a honra e a soberania nacional. Mas, em relação aos militares brasileiros não houve negociação. O imperador entendia que atender aos pedidos exagerados de Christie significava atender uma vontade estrangeira, e que tal fato colocaria a soberania nacional em descrédito.

Mesmo pagando a indenização, Pedro II solicitou explicações à Inglaterra sobre o comportamento de seu embaixador no Brasil. Por conta disso o imperador solicitou o fim das relações diplomáticas com a Inglaterra, e para isso teve apoio da população. O imperador solicitou, para resolução deste impasse, uma mediação internacional.

LEIA O CASO DO PRINCE OF WALES NA PERSPECTIVA DA IMPRENSA RIO-GRANDINA (1861-1862)

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